quinta-feira, 5 de março de 2015

Servindo em silêncio - 1995




Por Jason

Glenn Close é a Coronel Margarethe Cammermeyer, uma enfermeira do exército com 24 de anos de serviço e condecorada com uma medalha de bronze no Vietnã. Separou-se de seu marido, com quem viveu durante quinze anos e teve quatro filhos. Tinha três irmãos homens e um pai um tanto rígido, que não a considerava como filha. Durante uma entrevista do Exército, onde as informações eram estritamente confidenciais, ela admitiu ao serviço militar que era lésbica. A partir daí, a Guarda Nacional começou um absurdo processo contra ela para dispensá-la. Margarethe, que acreditava na instituição como se ela fosse sua família viu cair por terra todos os seus anos de dedicação, já que as Forças Armadas, devido a uma lei interna, proibia os soldados de se declararem homossexuais e dispensavam um contingente de cerca de 15 mil  pessoas por ano por este motivo.


Segundo esta regra, a homossexualidade era incompatível com o serviço militar e as Forças Armadas alegavam que a presença no ambiente militar de pessoas que se envolviam em relações homossexuais ou que, pelas suas declarações, demonstravam uma propensão a se envolver em conduta homossexual, prejudicava gravemente a realização de uma missão militar. A presença de tais membros afetaria negativamente a capacidade das forças armadas para manter a disciplina, boa ordem e moral; impedia de promover a confiança mútua entre os membros do serviço; para garantir a integridade do sistema de classificação e de comando; impossibilitava a cessão e implantação mundial de membros do serviço que frequentemente teriam de viver e trabalhar em condições próximas proporcionando privacidade mínima; impedia de recrutar e reter os membros das forças armadas; impossibilitava manter a aceitação pública do serviço militar e evitar falhas de segurança. Essa lei, que impedia gays e lésbicas de servirem abertamente nas Forças Armadas, seria agravada pelo "Não pergunte, não diga", que permitiria que os homossexuais servissem as Forças Armadas, desde que vivessem amordaçados. Tal restrição só seria derrubada em 2011 pelo presidente Barack Obama.

Pouco tempo antes da polêmica, Margarethe já vivia com a professora e pintora Diane e os filhos já sabiam de sua orientação sexual. Para completar a complicada vida dela, seu pai acaba tendo que morar na sua casa. O homem era tão ignorante que não abraçava os filhos, com medo de que eles se tornassem homossexuais. Ao ser dispensada, Margarethe entrou com uma ação judicial e a sentença permitiu que ela retornasse ao seu trabalho normalmente, julgando a decisão militar inconstitucional. Exposta pela imprensa, viu sua privacidade escancarada ao público e iniciou uma verdadeira batalha pela preservação dos direitos humanos que dura até hoje.

Feito para a televisão e baseado nessa história real, o filme se suporta na performance de Glenn Close, também produtora, no papel principal de uma mulher que leva toda uma vida até conseguir se aceitar e admitir sua própria natureza, assumindo quem é e todas as consequências desse ato até ser hostilizada em público. Ao mesmo tempo em que é durona, Margarethe não consegue conter seu sofrimento, enquanto se desdobra entre o serviço e sua família. Só mesmo uma atriz do calibre de Glenn Close para topar a parada. Tanto ela quanto Judy Davis, no papel de Diane, possuem boa química e transmitem dinâmica na tela. Pelos papeis, as duas seriam indicadas ao Globo de Ouro e venceriam o Emmy.

O problema do filme é a superficialidade com que trata a situação. Há, como não poderia deixar de ser, os discursos inflamados e moralistas. Adaptado da biografia de Margarethe, ele começa como um drama pessoal e familiar que poderia render, mas ganha ares de filme de tribunal aos 45 do segundo tempo. Dá saltos no tempo e acelera o passo para caber numa produção de 90 minutos. A maioria dos coadjuvantes não se desenvolve, como os filhos da protagonista, todos unidimensionais. Nada disso exclui o brilho de Close e a importância do tema, que passado vinte anos desde o lançamento, ainda continua atual.

Cotação: 2,5/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...