sábado, 28 de março de 2015

Síndrome de Caim - 1992




Por Jason


O doutor Carter é um psicólogo de crianças que ama muito sua filha de dois anos. Ama tanto que protege demais a menina, a ponto de vigiá-la e estudá-la. Ajudado por seu irmão gêmeo e por seu pai, o doutor Nix, Carter trabalha sequestrando crianças para um experimento psicológico, enquanto seu irmão vai se livrando das mães dos meninos. Sua esposa Jenny nada sabe e, infeliz no casamento, volta a ter um caso extraconjugal com Jack - cuja esposa morreu de câncer no hospital em que Jenny trabalhava. Seus planos iam bem até que Carter descobre o caso da esposa e arma, sem ninguém imaginar, para cima de Jack, para incriminá-lo pelo desaparecimento das crianças e pela morte das mulheres.

Com a ajuda da psicóloga Dra Lynn, descobre-se que Carter além de serial killer é portador de múltiplas personalidades, desenvolvidas através dos abusos de seus pais: Caim, seu irmão gêmeo, com o qual disputa a atenção do pai, que tem preferência por ele; Margo, uma menina que cuida de outras crianças; John, um dos meninos sequestrados e assume uma última, uma mulher que o ajuda a fugir da delegacia. Sua tentativa de matar sua esposa vai por água abaixo, quando Jenny consegue escapar do assassinato e o entrega para a polícia, para encontrar a filha, esta entregue ao pai de Carter - que havia forjado seu próprio suicídio 18 anos antes e que, aos olhos do espectador, parecia muito mais outra personalidade de Carter! 

Em toda essa loucura, é John Lithgow quem chama a responsabilidade para si e sua habilidade de assumir vários personagens diferentes é o ponto alto do filme. Ora como o próprio pai de Carter, ora como o irmão violento, como Carter, ou como Margo e John, Lithgow incorpora os personagens com todos os nuances e encontra seu trunfo na cena do interrogatório com a Dra Lynn, em que vai assumindo suas múltiplas facetas. Cada uma é bem determinada, embora todas transitem com algumas características em comum nos gestos, afinal elas habitam o mesmo corpo - mas sem nunca cair na caricatura. Basta reparar na sua expressão facial quando é a menina Margo que está no domínio. É um esforço sensacional e sem essa capacidade, o filme certamente afundaria. 

Afundaria porque seu miolo é pobre e a trama mequetrefe - mulher tendo caso extraconjugal, marido psicopata, trama policial porca que entra no terceiro ato e não se desenrola -, mas De Palma não está se importando com isso. O diretor traz momentos excepcionais, como um longo plano sequência numa delegacia, em que a personagem Dra Lynn explica o que acontece com a pessoa portadora de múltiplas personalidades, descendo escadas e entrando em elevadores, plano este que vai terminar de maneira bizarra no necrotério com uma das vítimas. Cria sequências em que várias coisas acontecem ao mesmo tempo e avançam num ápice, enquanto sua câmera passeia pelo cenário de três andares nos instantes finais envolvendo um conflito com os protagonistas que, por pouco, não termina em tragédia. Tudo parece milimetricamente encaixado em cena.

Há momentos, claro, em que o diretor emula Hitchcock, em Psicose, dessa vez apostando num tom de humor negro, como quando Carter joga o carro com a esposa no lago e espera que ele afunde, o que demora mais do que previsto para acontecer. Também recorre a sua própria obra, como Vestida para Matar, no último segundo. Desconte a trama policial capenga, a fraca Lolita Davidovich, gente que chega sem dizer a que veio - o personagem Jack é terrível e o ator é um problema insolúvel - e seja feliz.

Cotação: 3/5 

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