sábado, 18 de abril de 2015

Apenas uma questão de amor - 2000




Por Jason

Laurent divide um apartamento com Carole, que se passa por sua namorada sempre que possível para livrar a sua barra diante dos pais. Sim, Laurent é homossexual e não aceita o fato de que seus pais, preconceituosos, não ajudaram seu primo, também homossexual, quando ele mais precisava de apoio ao ser expulso de casa. Os pais de Laurent trabalham com uma farmácia do interior e queriam que ele desse continuidade ao ofício, mas Laurent optou pelo paisagismo e agronomia. Ele está indo mal na faculdade sem que os pais saibam e, ao arranjar um estágio, acaba conhecendo e se envolvendo com Cedric, um jovem que trabalha o tempo todo num negócio do ramo deixado pelo pai.

Cedric se assumiu durante o enterro do pai. Os dois se envolvem enlouquecidamente, mas há um problema: bem resolvido, Cedric começa a pressionar Laurent a parar com as mentiras e a sair do armário, enquanto Laurent precisa fazer malabarismo para lidar com os pais extremamente preconceituosos. Os dois acabam sempre se desentendendo por causa disso e a mãe de Cedric não vê alternativa se não expor a situação dos dois para os pais de Laurent. A pessoa de maior clareza de todas, no entanto, é a mãe do primo de Laurent, a mesma que perdeu o filho por causa de hepatite acreditando que por ser homossexual ele necessariamente era aidético. É ela (que surge do nada, injustiçada pelo roteiro mal elaborado) quem diz a mãe do menino como se deve proceder - amar ao filho incondicionalmente para não perdê-lo como ela perdeu o filho dela.

No ano 2000, ainda de que de forma meio desengonçada mas corajosa, o filme estreou sendo considerado o primeiro a expor na televisão francesa, com clareza e eficiência, a problemática do jovem homossexual que não possui apoio em sua própria casa, com seus próprios pais. O filme tem boas atuações dos dois jovens e é notável como se entregam para as cenas em que estão juntos. Mas tudo é sepultado por um incômodo clima superficial de novela e a discussão em torno da aceitação é subtraída tão rapidamente do roteiro quanto surge, sem se desenvolver - talvez mais vinte minutos deixassem o composto mais sólido.

O terceiro ato, como muitos filmes do tipo, é tão apressado que o protagonista se afasta do namorado, volta, briga com a mãe dele, faz as pazes com ela, briga com os pais, e vai tentar fazer as pazes, se despede da amiga que some, decide ir embora, desiste, e fica com ele, tudo em menos de dez minutos de tela. Sem falar que a amiga e suposta namorada, Carole, é relegada a muleta dramática o filme todo. Ou seja, é bonitinho - mas ordinário.

Cotação: 2/5

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