terça-feira, 7 de abril de 2015

Bronson - 2008




Por Jason

Michael Peterson era problemático desde a infância e adolescência, quando arranjava problemas com todo mundo na escola. Filho de pais separados, uma mãe relapsa, Michael sempre teve um temperamento difícil. Mais tarde, já adulto, pulava de emprego e emprego, sempre arranjando confusões. Depois de se casar e ter um filho, foi preso por assaltar uma agência de correios a mão armada e pegou sete anos de prisão. Começava então sua odisseia passando por várias prisões da Inglaterra. 


Mais tarde, Michael viria a adotar o nome de Bronson, em razão do ator de filmes violentos como a série Desejo de Matar, Charles Bronson, e por onde passava deixava um rastro de violência, agredindo companheiros de cela e agentes penitenciários. Michael era narcisista e tentou fazer de seu temperamento violento um meio de se chegar ao tão sonhado status de famoso que sua mente desequilibrada almejava. Não conseguindo o que queria, foi transferido para hospitais psiquiátricos, onde novamente arranjou mais problemas ao tentar matar funcionários e companheiros desequilibrados que nem ele. Depois de retornar aos presídios, foi solto após cumprir sua pena, virou lutador ilegal no submundo da cidade - para depois ir parar no presídio novamente por assalto a uma joalheria, para roubar um anel e convencer uma mulher a ficar com ele. Entre idas e vindas, brigas, motins, assaltos, espancamentos, solitárias, liberdade condicional, Bronson retornou para a cadeia, de onde não saiu mais até hoje.

O filme Bronson traz Tom Hardy como essa figura ímpar, e tenta fugir das biografias tradicionais e explorar o lado psicológico perturbado do personagem, ao colocar Bronson intercalando cenas de sua vida com uma apresentação em que incorpora um ator diante de um palco, sua personalidade narcisista em busca de fama e aplauso. O filme não economiza em cenas de violência e perturbadoras, como na cena do hospital psiquiátrico em que um doente defeca nas mãos e passa fezes no próprio rosto ou em sessões de espancamento de Bronson, coberto completamente de sangue. O diretor Nicolas Winding Refn, de Driver, porém, opta por fazer um distanciamento emocional da figura e se prende tanto a questão da perturbação mental que por mais que Hardy se dedique por inteiro, gritando, apanhando, batendo e tirando a roupa, nunca nos envolvemos com o personagem. 

Personagens entram e saem do nada, como o tio dele, e ficamos a ver navios porque não se desenvolvem. O roteiro subtrai também muita coisa, sem explorar o lado familiar e o ambiente em que foi criado, seu relacionamento com as mulheres é atropelado, o filho e sua ex mulher somem de sua vida, o que deixa o personagem sem eixo emocional. Em uma análise mais fria de seu psicológico, Bronson apresenta traços de que tinha problemas de carência afetiva e de atenção, e isso talvez tivesse relação com problemas da infância no âmbito familiar. Sem ir a fundo, o personagem flutua. Não ajuda em nada aquelas inserções de narrações em OFF, como se o roteiro fosse incapaz de traduzir em imagens os acontecimentos e o que sente o personagem. Não é culpa, como visto, do trabalho de Hardy, que carrega o filme nas costas.

Talvez porque o roteiro tente fazer algo perto de uma obra de Kubrick, onde a violência não precisa de um pretexto ou coisa parecida para acontecer, ela nasce como um dom (preste atenção na sequência em que ele rende o professor de arte e começa a pintá-lo, com a orquestra estridente ao fundo de uma sequência de briga violenta, trecho que parece saído de um filme como Laranja Mecânica). Não sentimos pena ou remorso, não torcemos nem por ele ou contra ele. Se serve de consolo, no mais, Bronson conseguiu o que queria - alcançou fama como o prisioneiro mais violento da Inglaterra e ganhou até um filme sobre a sua vida. 

Cotação: 2/5

Um comentário:

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