terça-feira, 21 de abril de 2015

Contracorrente - 2009




Por Jason

Em Contracorrente, Miguel é um representante da igreja muito conhecido em uma vila de pescadores peruana. Ele vive com sua esposa Mariela, que está grávida do primeiro filho. O que ninguém sabe é que Miguel tem um relacionamento amoroso com Santiago, um pintor e fotografo forasteiro. Santiago quer que Miguel dedique mais tempo a ele, mas Miguel, que não se considera homossexual, não aceita a ideia - só que não quer também que Santiago o abandone.


Um dia, no entanto, Santiago não aguenta mais a situação e decide partir. Na travessia do mar ele morre e seu corpo desaparece nas águas. De forma sobrenatural, Santiago retorna para Miguel toda vez que este pensa nele, já que Santiago não descansará em paz enquanto o corpo não for achado e enterrado com uma cerimônia digna no mar, pois esse era o desejo dele. Mesmo encontrando o corpo, Miguel decide deixá-lo onde está, com a finalidade de manter Santiago em sua vida e os dois possam assim continuar se encontrando e se amando. Ao descobrirem que havia uma relação entre os dois, os moradores da vila se voltam contra Miguel, colocando o pescador contra a parede e o levando finalmente a reafirmar o relacionamento que teve com Santiago - bem como assumir as consequências por esse amor proibido. 

Contracorrente foi o primeiro longa-metragem do roteirista e diretor peruano Javier Fuentes-León e seu resultado é satisfatório. É um filme compacto, que passa bem e o mérito curiosamente não está na mistura do fantástico com a realidade dos personagens - que o diga a velha Dona Flor e seus dois maridos, de Jorge Amado, cujo amante permanecia na vida dela mesmo depois de morto. A própria presença do personagem do além acaba criando algumas situações de risos involuntários em certos momentos. Mas o que começa meio cômico vai se tornando trágico à medida que o filme avança e é aqui que se destacam as belas paisagens bem fotografadas, a simplicidade com que a trama se desenvolve e no trio de atores principais, o boliviano Cristian Mercado (o Miguel), o colombiano Manolo Cardona (Santiago) e a peruana Tatiana Astengo. 

Cristian consegue transportar para a tela a confusão de ser o que é e a sensação de estar em um beco sem saída, morando num lugar um tanto atrasado e conservador, onde as pessoas ainda sofrem com alguma influência da igreja e onde a figura de Santiago não é bem vista. Seu personagem não se aceita como é, o que só o leva a ânsia de querer amar e ficar com duas pessoas ao mesmo tempo - e que, de tanto querer os dois, acaba tragicamente sem nenhum. A química com Manolo é perfeita e os dois se entregam de cabeça, corpo e alma aos personagens. Já Tatiana carrega o tom mais dramático do filme e defende bem seu personagem como uma mulher traída, mas ainda assim capaz de manter sua dignidade inabalável. 

Não se deve esperar muito mais do filme, já que todo o filme está concentrado nos três - não se sabe e nem é preciso saber, por exemplo, como o relacionamento entre os dois começou e o que levou um a ser atraído pelo outro. Aos quarenta e cinco do segundo tempo, a família do fotógrafo entra no bolo, o que deixa tudo um tanto solto. Gente entra e sai sem dizer a que veio e, como de praxe no gênero, nada de finais felizes. Uma pena.

Cotação: 3/5 

Um comentário:

  1. "E que, de tanto querer os dois, acaba tragicamente sem nenhum."
    Bela crítica! =)

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