domingo, 26 de abril de 2015

Vingadores - Era de Ultron - 2015




Por Jason

A ação desenfreada de Vingadores: era de Ultron começa numa floresta coberta de neve, base dos experimentos da HIDRA, liderados pelo Barão Wolfgang Von Strucker (Thomas Kretschmann, um desperdício). Os Vingadores, depois de explodirem metade da floresta, recuperam o cetro de Loki e acabam tendo o primeiro contato com os irmãos geneticamente modificados Pietro (Mercúrio, o ator Aaron Taylor Johnson) e Wanda (Feiticeira Escarlate, a atriz Elisabeth Olsen). É através de uma experiência mal sucedida com a gema do cetro (uma das tais Joias do Infinito) que Tony Stark, o Homem de Ferro (Robert Downey Jr), visando fazer um programa de defesa global, acaba criando o carnavalesco Ultron (voz de James Spader). 

Ultron quer, claro, destruir a raça humana. Até aí nada demais, afinal todo vilão megalomaníaco que se preze quer vaporizar o planeta. Porém, os problemas do filme e seu roteiro, que já vinham capengando até aqui, estouram a partir daí. Ultron, depois de causar na festa da vitória dos Vingadores, foge para a base da HIDRA onde planeja o seu exército de robôs, enquanto os irmãos se juntam a ele, e tenta criar um corpo melhorado - e é daí que nascerá o vingador sintético, Visão (Paul Bettany). No meio do caminho, claro, em sua vontade de explodir o mundo, o vilão constrói uma máquina que levantará uma cidade inteira para transformá-la num tipo de meteoro, com a finalidade de mandar tudo pelos ares. Os Vingadores, obviamente chegam para salvar a humanidade a passam a contar com a ajuda dos irmãos (péssima ideia para Mercúrio aliás...), que percebem quais os planos reais de Ultron e são incorporados rapidamente ao grupo por Capitão América (Chris Evans), mesmo que alguns reclamem inutilmente. 

É incrível como o roteiro do filme dispara uma piada a cada minuto, a ponto de tudo se tornar insuportável. Não há um momento melhor trabalhado no filme em que os atores possam atuar - porque ele é rapidamente cortado por uma explosão, por uma piada imbecil ou por um ataque do vilão vindo sabe-se lá de onde. Reparem na sequência em que estamos para conhecer um pouco mais sobre a Viúva Negra (Scarlett Johanson) quando Wanda, a Feiticeira Escarlate, lança sobre ela um feitiço telecinético: a confusão que se segue destrói qualquer tentativa de drama genuíno e qualquer lampejo de interesse naquelas figurinhas de papel. Na cena da nave, em que Banner desabafa e ela tenta consolá-lo, o Thor aparece soltando piadinha, quando ela vai fazer o processo para que Hulk volte ao normal, Ultron chega metendo bala. Parece que Whedon foi coagido a fazer uma coisa maior, maior, e cada vez maior, mas esqueceu que deveria fazer melhor e perdeu completamente a noção do que estava fazendo. 

O próprio plano de Ultron é absurdo, afinal, super desenvolvido como ele é, não foi capaz de destruir a humanidade de um modo mais simples (uma Skynet, a exterminadora de humanos de Terminator que o diga...). Ultron parece saído de um filme velho dos Trapalhões onde as piadas não funcionam mais, destinado a crianças que certamente ficarão enlouquecidas para comprarem os brinquedos e quinquilharias baseadas no filme. Não é um vilão que mete medo, não é um vilão interessante, muito menos inesquecível. Mais absurdo ainda é a forma como Visão entra no filme, aos quarenta e cinco do segundo tempo, com sua parcela de Frankenstein que acabou de se levantar da mesa, mas que em dois segundos se situa e já veste sua fantasia verde e rosa para desfilar na Mangueira no carnaval do Rio de Janeiro.

De atuações, ninguém se destaca. Robert Downey Jr roda no automático, os dois Chris (o Evans e o Hemsworth) estão ali pelo porte físico. Scarlett Johansson e Mark Ruffalo ainda tentam alguma intimidade dramática, soterrados pelo fato de que sua personagem é eternamente desperdiçada como uma ninja muleta de interesse amoroso de algum herói, aquela que roda de mão em mão - e ele passa mais tempo em sua versão verde digital urrando e destruindo tudo no caminho. O Gavião Arqueiro de Jeremy Renner ainda traz alguma surpresa mostrando seu lado pessoal e humano comum, mas em nada acrescenta ao todo. Some a isso o fato de que Aaron Taylor Johnson fala seus diálogos como se tivesse lendo um texto de formatura no colégio e Elisabeth Olsen parece mais perdida que cega em tiroteio, fazendo cara de quem está com dor de barriga toda vez que ativa um poder - e temos um panorama do desastre. Outros atores estão lá apenas para bater cartão, como Samuel L Jackson, Idris Elba e Andy Serkis, desperdiçados numa verdadeira bagunça e que em nada somam.

Se vale de consolo, há uma sequência bem elaborada de destaque, em que Homem de Ferro tenta conter Hulk com sua Hulkbuster depois que o verdão destrói metade de uma cidade (o Homem de ferro destrói a outra). Mas a sensação que se tem ao final de Vingadores - A era de Ultron é que acabamos de ver um filme nos moldes de Transformers: trama insossa, falta de estofo dramático e de importância com personagens, quantidade absurda de efeitos especiais em detrimento de uma boa narrativa, excesso de personagens, sequências grandiloquentes de ação desenfreada, buracos de roteiro e atuações ruins. Em resumo, tudo o que crianças e adolescentes, acostumados a encherem os cinemas com as produções de Michael Bay adorarão, mas que alguém, com um mínimo de exigência, só encontrará frustração. 

Cotação: 1,5/5

2 comentários:

  1. Nossos pensamentos se equivalem, escrevi algo parecido assim que saí da pré-estreia.
    http://ozymandiasrealista.blogspot.com.br/2015/04/vingadores-2-era-de-ultron-opniao.html

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  2. Pois é. Essa grandiloquência recheada de vazio - cada vez mais comum, aliás - de algumas megaproduções é uma puta falta de sacanagem! Não custa nada fazer um blockbuster decente pra gente adulta. Ou, sei lá, vai ver que é pedir demais...

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