quarta-feira, 13 de maio de 2015

Excalibur - 1981




Por Jason

A lenda do Rei Arthur gerou muitos livros, filmes, peças teatrais, desenhos e uma série de produtos em diversas mídias. Baseado no livro “Le Morte d’Arthur” de Sir Thomas Malory, essa lenda rendeu o já clássico Excalibur, que abre com um extenso prólogo. Durante a Era Medieval, o Rei Uther recebe do mago Merlin a mítica Excalibur, após negociar uma trégua com outro reino. Mas Uther, ajudado por Merlin, cai nas graças de Igrayne, mulher do rei e mãe de Morgana. Para possuir a mulher, Merlin negocia com Uther, pedindo o filho que nascer dessa união em troca. Ao nascer, Merlin vai buscar o menino, Arthur. Uther é morto em uma emboscada, deixando a mítica espada fincada numa pedra antes de morrer e o país sem um rei.

O tempo passa e muitos cavaleiros tentam retirar a espada da pedra, sem êxito. Mas é um jovem humilde, Arthur, o filho de Uther, que consegue o feito. No meio do caminho, ele acaba se envolvendo com Guenevere com quem se casa e encontrando Lancelot, com quem trava uma luta que quase o mata. Arthur unifica o Reino da Inglaterra, cria a Tavóla Redonda, mas Morgana espalha seu veneno entre eles, usando um cavaleiro chamado Gawain como escudo, jogando Guenevere contra Arthur e criando problemas entre os cavaleiros. Arthur constrói a cidade de Camelot e Guenevere o trai com Lancelot. Morgana encanta Arthur, para engravidar dele e dar a luz a Mordred, que nasce para destruir o reino. Mas ainda tem mais... Para restituir a paz e a harmonia, e redimir todo mundo do pecado, Arthur explica que os cavaleiros precisam encontrar o Santo Graal. Na busca, todo mundo é morto e é Perceval, com sua persistência e esperança, que consegue achá-lo. Arthur luta com o filho, o mata e morre posteriormente, não sem antes se livrar da excalibur.

Apesar do certo esmero da produção nos figurinos - os cavaleiros brilham na luz com suas armaduras prateadas - e nos cenários, Excalibur, que ganhou até indicação ao Oscar de fotografia, é um filme desajeitado. Há alguns momentos de destaque - sua trilha sonora é bem lembrada, sequências são plasticamente bem elaboradas, como a floresta dos cavaleiros mortos, com seus cadáveres pendurados nas árvores. Mas nada esconde que o filme envelheceu mal. As cenas de batalha e de luta beiram o ridículo de tão mal filmadas e editadas. As atuações são todas canastrissimas e a total ausência de uma melhor direção de atores acaba vitimando até gente mais calejada, como Patrick Stewart. Gabriel Byrne parece querer rir nas cenas em que surge no prólogo e Nicol Willianson, o Merlin, tenta fazer graça sem conseguir, com suas falas e conselhos de novela das oito.

Some a isso o fato de que a Helen Mirren, de Morgana, pouco resta a fazer a não ser espalhar sua beleza e fazer sua macumba com asa de morcego e pele de cobra num caldeirão, quase uma Maga Patalógica. Seu melhor momento é quando Merlin tira dela o poder que a manteve jovem e bela por muito tempo e ela vira uma velha caquética bagaceira esganada pelo próprio filho. Um jovem Liam Neeson pouco acrescenta a trama. Nigel Terry, o Rei Arthur, não deslanchou na carreira - os motivos são óbvios ao se assistir a produção - tendo um último papel de destaque em Troia, de 2004, e falecendo recentemente de enfisema pulmonar. Excalibur também escorrega no ritmo: tem pouco mais de duas horas, mas a sensação é de se estar assistindo a trilogia dos anéis com nove horas de duração. É clássico, mas não deixa de ser cafona.

Há momentos em que nada acontece , há um excesso de personagens e de gente com as quais não nos importamos - e o filme dá saltos, seja no nascimento de Arthur, seja no nascimento e no crescimento de Mordred de forma que é impossível definir uma personalidade para este - se é que ele tem uma. Daquela multidão de cavaleiros, só Lancelot tem algum destaque, seguido por Perceval na última meia hora - os outros não servem para nada. Impossível não rir com Guenevere, que depois de dar para um e para outro, foi curar seus pecados num convento virando freira mas a parte mais bizarra do filme fica mesmo por conta da armadura de mamilos tortos de Mordred e de sua máscara que lembra uma fantasia de desfile de escola de samba. Um verdadeiro carnaval.

Cotação: 2/5

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