sábado, 2 de maio de 2015

I'll Follow You Down - 2013




Por Jason 

I'll Follow You Down começa sem dizer a que veio. E termina do mesmo jeito. O que é triste, dado o fato de trazer uma premissa interessante de viagem no tempo. Na trama, Gabe (Rufus Sewell) vive bem com sua família, a mulher Marika (Gillian Anderson) e seu filho pequeno. Um dia, ele diz a mulher que precisa viajar para uma convenção, sai de casa e simplesmente desaparece. Passada a agonia, doze anos depois, ela ainda não consegue se livrar da memória dele. Seu filho cresceu, é um rapaz super dotado (Harley Joel Osment), ela está depressiva e a beira da auto destruição por não saber o que houve com ele, se está morto, se está vivo e desmemoriado ou se abandonou a família para viver com outra mulher. 

O pai de Marika, Sal (Victor Garber), um professor universitário de física, foi a última pessoa a vê-lo, já que o homem estava trabalhando em um projeto na universidade. Ele descobre algumas anotações de Gabe, que levam a crer que ele estava trabalhando num projeto de construção de uma máquina do tempo. Sal não consegue concluir os cálculos, mas supõe que a intenção de Gabe era retornar ao ano de 1946 para se encontrar com Einstein, provando seus experimentos sobre linhas temporais. O problema é que Erol, ao saber disso, fica relutante e só decide seguir adiante com o projeto quando a mãe comete suícidio e ele descobre que o pai na verdade foi morto em 1946 dias depois de chegar da viagem temporal. Mais tarde, ele é barrado pela namorada de infância, que está grávida e planejando se casar e ter uma vida com ele. Após perder o filho num aborto espontâneo - a cota de tragédia do filme é de cair o queixo - Erol conclui o projeto, viaja no tempo e impede que o pai continue, para que Gabe - e sua família - possam retornar para suas vidas normais.

Quando se segura na parte dos questionamentos morais sobre a viagem no tempo, o filme se torna interessante. Mesmo em se tratando de uma produção barata sem grandes recursos para efeitos especiais, um bom argumento e um roteiro bem elaborado valem mais na conta muitas vezes do que a condição técnica. Nesse sentido, é interessante notar como a saída de Gabe da vida da família criou um efeito dominó, uma série de condições e acontecimentos imprevistos, que estão fora do domínio dos personagens mas que poderiam ser evitados se ele simplesmente não embarcasse na viagem. Sem a figura paterna, Marika adoeceu e se matou, Sal acena para um relacionamento amoroso, Erol sentiu a ausência do pai, virou um adulto inseguro, se apoia e depende da namorada para tudo - ao passo que a menina questiona se esse retorno temporal resolverá outras questões ou se evitará que as coisas simplesmente aconteçam "porque deveriam ocorrer daquela forma". 

Os problemas, no entanto, se tornam maiores que as qualidades do filme, ao notarmos que Harley Joel Osment, que era capaz de emocionar em O sexto sentido e Inteligência Artificial, agora mais velho e rechonchudo parece rodar no automático, sem nenhum peso dramático em sua interpretação. Gilliam Anderson se esforça, mas não convence no drama e parece um tanto solta e sem uma direção de atores para lhe dar um guia. Sewell é e sempre foi péssimo, e aqui parece tomado por uma droga letárgica. O único que parece dar alguma luz e acreditar na trama é Garber, o que no conjunto, representa pouco. O filme também não se aprofunda no fato de que a viagem de Gabe não alteraria apenas o núcleo familiar, mas todo mundo em volta dela, envolvendo pessoas que estavam até mesmo fora do seu círculo pessoal, deixando o conflito pequeno demais quando poderia ferver e ganhar uma dimensão maior. Com o final abrupto e mal elaborado, fica uma sensação de que a ideia era interessante, mas o composto azedou.  Como sci fi de viagem no tempo, o filme segura atenção, como drama é um retumbante desastre.  

Cotação: 1,5/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...