domingo, 17 de maio de 2015

Maggie - 2015




Por Jason

A trama de Maggie se concentra na adolescente que dá nome ao filme, uma menina que vai à cidade destruída durante uma epidemia viral que transforma os humanos em zumbis. Maggie é levada para o hospital, mas é tirada de lá por seu pai, que a leva para casa. A partir daí começa o drama da menina e da família: ela se torna um perigo para sua própria família, pois, como eles sabem, começará a se transformar e poderá atacar seus familiares. Tanto seu pai quanto sua madrasta e sua irmã precisarão se adaptar a essa nova fase da vida - e a própria Maggie tem que se adaptar a sua nova vida, já que pode estar vivendo seus últimos momentos - até quando não haverá mais nada a fazer e seu pai terá que tomar uma atitude.  

Por trás de um viés de filme de zumbi, há o drama de uma família destruída por uma doença fatal da filha adolescente. Sim, Maggie é acima de tudo um drama familiar. A personagem é uma metáfora de uma doença terminal: seu corpo é consumido como se nele habitasse um câncer, cujas feridas nunca saram, o tratamento não surte efeito e que vai apodrecendo lentamente. O médico dá ao pai três opções: a de mandá-la para a quarentena junto aos outros infectados, a de tentar tratá-la em casa sabendo dos riscos ou a de acabar de uma vez por todas com o sofrimento. A ideia é, assim, interessante, prejudicada por outros problemas.

Arnold Schwarzenegger arranha seu péssimo inglês, mas tem aqui uma chance de demonstrar algum potencial dramático, uma mudança interessante de carreira para alguém acostumado ao ritmo de filmes de ação, com um papel que tem um pé no convencional - um pai que vê sua filha deteriorar e não sabe o que fazer para amenizar seu sofrimento e muito menos o dela. Ele faz o que pode, chora, lamenta, expressa algum rancor com o apoio de sua cara detonada por rugas, e a direção consegue extrair dele mais até do que o necessário para que ele sustente seu personagem, o que deixa uma sensação de que ele, embora limitadíssimo, possa render até mais se melhor trabalhado em outro filme. Já Abigail parece ter perdido um pouco da naturalidade de Pequena Miss Sunshine, num desempenho um tanto irregular que, se não compromete, não ajuda em nada. Tem mais.

Como filme dramático, o filme falha - e não é culpa de Arnold nem do elenco. É da trilha sonora melosa que sobe a cada segundo, das cenas não levam os personagens a lugar algum nem faz a trama avançar. Erros grosseiros de montagem aparecem, como o fato de que Abigail aparece em uma cena com os olhos já esbranquiçados contaminados, para depois aparecerem normais na sequência seguinte e voltarem ao estado anterior. Há os clichês - Maggie observando o pôr do sol, se despedindo da amiga, cena ao redor da fogueira em que os amantes adolescentes discutem essa nova vida destinada a tragédia, etc. 

Há nisso tudo uma apatia terrível, falta de ritmo e de urgência, vigor e de profundidade do roteiro: o questionamento sobre a ética envolvendo os pacientes infectados e o tratamento dado nos hospitais, algo que poderia ser desenvolvido como um contraponto a forma como o pai da menina a trata, é apenas pincelado. A pá de cal é a ausência total da habilidade da direção de transformar tudo em algo mais interessante e menos tedioso. Pior: se o filme falha no drama, falha mais ainda como terror ou como filme de zumbi, já que não se desenrola em nenhum dos dois gêneros. Como capítulo de The Walking Dead, o filme poderia até funcionar. Como filme de algum dos gêneros que arrisca, o resultado é desastroso.

Cotação: 1,5/5

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