sexta-feira, 15 de maio de 2015

Requiem para um sonho - 2000




Por Jason

O filme traz Sara (Ellen Burstyn), mãe de Harry (Jared Leto), um viciado em drogas assim como seu amigo Tyrone (Marlon Wayans) e sua namorada Marion (Jennifer Connelly). Sara é uma viúva que passa o dia todo diante da televisão e após ser convidada para aparecer em um programa, fica obcecada em querer emagrecer para caber em um vestido vermelho, que usou durante a formatura do filho. Não satisfeita com uma tentativa de dieta, Sara procura um médico que lhe receita uma série de pílulas para emagrecimento rápido, o que começa a deixá-la transtornada. 

Paralelo a isso, Harry se envolve com gente barra pesada na mesma proporção que se vicia ainda mais. Sua intenção é modificar as drogas e ganhar mais adeptos, para juntar mais dinheiro e criar uma loja de roupas para Marion. O parceiro Tyrone é pego após um assassinato e vai para a cadeia. Para tirá-lo de lá, Harry acaba envolvendo a namorada, fazendo com que ela se prostitua e ele, viciado em heroína, destrua suas veias e o seu braço, que começa a apodrecer. Sara vai parar num hospital psiquiátrico para um tratamento de eletrochoque, Harry tem o braço amputado e Marion vai parar numa orgia em troca de drogas e dinheiro.

Aronofsky usa repetições e cortes de cenas, para ilustrar o vício dos protagonistas, o que depois de uma ou duas vezes acaba tornando a experiência visualmente insuportável e tediosa - se essa era a intenção, ele acertou em cheio. Mas não esconde closes, seja no rosto dos personagens, seja no braço podre de Harry recebendo uma injeção de heroína ou na bunda da dublê e seu consolo sexual, tudo para causar repulsa no espectador. O filme é eficiente em mostrar a deterioração dos seus personagens e a droga como um caminho ladeira abaixo sem volta, de forma que ele consegue traduzir em imagens o pesadelo e toda a piração daqueles personagens dignos de pena, cujos sonhos, por mais simples ou ordinários que fossem,  foram arruinados pelo vício. 

O elenco funciona e é coeso: Jared, ator do tipo que se transforma fisicamente, aqui não fugiu da regra e emagreceu mais uma vez para um personagem. Seu Harry parece um cadáver ambulante. Wayans se tornaria mais conhecido por suas paródias terríveis de filmes conhecidos e Connelly tira a roupa e defende seu personagem como pode, mas no todo é Ellen quem se destaca. A atriz, indicada merecidamente a todos os prêmios da temporada na época em que o filme foi lançado - incluindo o Oscar-, faz um trabalho excepcional como uma mulher solitária, amarga e cuja obsessão a leva a completa insanidade. Louca para entrar no vestido vermelho e aparecer na tv, Sara pinta o cabelo de vermelho e descabelada, engole pílulas como se tivesse tomando um copo com água, vê a geladeira andando sozinha  e imagina coisas que não existem na realidade, tornando-se incapaz, no auge do vício, de dissociar o que é real e o que é fruto de sua cabeça já deteriorada. É triste - e igualmente bizarro.

Cotação: 3/5

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