segunda-feira, 29 de junho de 2015

Mapa para as estrelas - 2014




Por Jason

Dirigido por David Cronenberg, o filme traz John Cusack como Stafford, um psicoterapeuta casado com Cristina (Olivia Williams) mãe que administra a carreira de Benjie, um astro mirim boca suja mal educado que está com problemas com drogas. Devido a isso, o contrato com a continuação de um sucesso está por um fio já que os produtores abafaram o caso para não prejudicar o retorno financeiro e o rumo das continuações. A outra filha do casal é Agatha (Mia Wasikowska), que chegou a Hollywood fugida de um hospital psiquiátrico. Ela vai trabalhar na casa de Havana (Julianne Moore) como sua assistente através de uma indicação de Carrie Fisher (interpretando ela mesma).


Havana quer reprisar um papel que foi de sua mãe nos anos 60. Desequilibrada, viciada, infantilizada, carente, perua, infeliz e mimada, ela é assombrada pela figura da mãe, que é acusada por ela de abuso físico e sexual e tenta se livrar dos problemas mentais enquanto faz terapia com Stafford. Stafford, aliás, foi incapaz de curar a sua filha Agatha e, como se esta fosse um desvio na sua carreira e sua vida de sucesso, tenta despachá-la para longe ao saber que ela está por perto. Apesar de quase perder o papel, Havana acaba levando a vaga depois de uma situação inesperada, mas sequer consegue chegar a encená-lo atacada pela lunática Agatha.

O filme tenta fazer uma crítica à vida vazia das celebridades de Hollywood, mesclando situações em que nomes reais caminham paralelamente a personagens fictícios. Todos são personagens perturbados, veem gente morta, se entopem de medicamentos ou estão envolvidos com drogas ou com algum tipo de doença. O problema é que o tom de sátira e a mistura com drama resulta em um angu difícil de engolir. Alguns, a exceção de Robert Pattinson que nunca prestou e Evan Bird, Benjie, canastrão e bizarro, são atores muito mais capazes, e parecem completamente fora do tom, o que provavelmente é culpa da direção tomada pelo filme e seu roteiro em si do que propriamente do elenco. 

Carrie Fisher, a eterna Princesa Leia, detonada pela idade e problemas de saúde, faz uma participação como ela mesma, que arranja uma assistente esquizofrênica desfigurada (Mia) para Havana. Olivia, cujo personagem descobrimos ser irmã do marido, é traída pelo roteiro e paga peito gratuitamente. Mia se esforça mas a cara de dopada não rende e Cusack já é acostumado a fazer porcaria - então tanto faz. O núcleo familiar problemático e destrutivo não funciona e nesse mangue, Cronenberg, que já fez clássicos como A mosca, coisas bizarras como Videodrome e Crash, e dramas densos como Marcas de Violência e Senhores do Crime - ou seja, ele pode muito mais que isso - aqui parece preguiçoso, totalmente perdido, sem encontrar um rumo para a trama. O tema podia render, sem dúvidas, mas o resultado é murcho que só.

Quanto a Moore, a atriz protagoniza cenas quentes de sexo a três, lésbico ou não, tira a roupa, escandaliza, chora, fala palavrão, peida em cena, limpa a bunda, paga calcinha, bunda e peito, faz voz de doente mental, dança, bate palma, dá no banco traseiro do carro, grita, se entope de laxante e de remédio, tenta de toda forma, mas parece que o filme joga contra ela e soterra qualquer possibilidade de parecer menos que uma caricatura - talvez tenha sido essa a intenção do filme mas o fato é que não funcionou. Fato também é que Moore foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Cannes de 2014, talvez mais pelos esforços do que pela atuação em si - e, ainda bem, foi indicada e premiada com o Oscar por um papel melhor. Só mesmo uma atriz do calibre de Julianne Moore para entrar numa roubada dessa e ainda por cima sair ilesa no final.  

Cotação: 1/5

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