quinta-feira, 4 de junho de 2015

Tron O legado - 2010




Por Jason

Kevin Flynn (Jeff Bridges) é um gênio da informática que, um dia, desapareceu sem deixar vestígios. Seu filho Sam (Owen Best), na época com sete anos, é criado pelos avós e a empresa de Flynn, a Encom, é gerenciada pelos demais acionistas. Já com 27 anos, Sam (Garrett Hedlund) não quer assumir o controle da empresa e prefere boicotá-la uma vez por ano. Um dia o braço direito de seu pai, Alan Bradley (Bruce Boxleitner), recebe um bipe, o que faz com que Sam vá até o local onde Kevin tinha uma série de consoles de videogame. Lá, Sam encontra uma passagem secreta, que o leva a uma câmara onde está o último trabalho de seu pai. Sam o aciona e é levado a outro mundo, tecnológico, habitado por programas de computação.

Nele, Sam descobre que o seu pai está vivo e que protege um programa, um ISO, chamado Quorra (Olivia Wilde), uma manifestação espontânea de vida daquele mundo digital. Clu (interpretado também por Jeff Bridges com seu rosto rejuvenescido) vê os ISOS como um vírus e planeja destruí-los por completo, além de reprogramar e criar um exército disposto a invadir o mundo real, já que Kevin Flynn criou uma forma de materializá-los no plano real. Para fazer a passagem, há apenas um portal, mantido por algumas horas e que os três devem encontrá-lo para sair do mundo virtual. Clu, no entanto, fará de tudo para impedir.

Tron O legado é continuação do filme original de 1982, pioneiro no uso de efeitos especiais por computação (há nesse, além de várias referências, um modelo de moto usado no primeiro filme que é levada por Sam para invadir a Grade, comandada por Clu). Os efeitos especiais, claro, são ponto alto do filme, embora vez ou outra falhem, principalmente na figura plastificada digital de Clu, fixada com o rosto jovem do ator Jeff Bridges, que ora parece um boneco digital saído de uma aventura da pixar ora uma criatura de jogo de vídeo game. O visual, contudo, é espetacular, misturando naves, trens futuristas, estações aéreas, torres, carros, motos digitais, arenas virtuais e todo um mundo gigantesco e iluminado por neons que enchem os olhos. A trilha sonora, composta pela dupla Daft Punk - que inclusive faz aparição em uma das cenas do filme - e harmonizada pelo maestro americano Joseph Trapanese, traduz em som o visual da realidade virtual. Os problemas, porém são muitos e os efeitos especiais não conseguem apagar. 

Falta estofo dramático para o filme. A relação dos dois, pai e filho, é resumida em uma sequência inicial, em uma central - carregada de diálogos, quando Sam encontra o pai - e num intervalo dentro de um trem futurista. Para piorar, Garrett Hedlund é terrível e inexpressivo e Olivia Wilde se resume a arregalar os belos olhos azuis num figurino fetichista. Jeff Bridges mantém os maneirismos e as caras e bocas de sempre, embora todos eles percam para a canastrice da figura virtual de Clu. A produção desperdiça participações como a de Michael Sheen, uma mistura de David Bowie com Drag Queen, e Cillian Murphy, relegado a uma participação especial no começo do filme - ator bem mais capaz e que seria mais interessante de ver como protagonista no lugar de Hedlund. Deve-se prestar atenção na negra que diz que Sam é "diferente" assim que ele desembarca no mundo virtual - é Yaya DaCosta, recentemente protagonista da biografia polêmica de Whitney, dirigida por Angela Bassett, e feita para a televisão. 

A ação é meio capenga. Embora bem montada, não chega nunca a empolgar. Tron O legado não foi exatamente um sucesso estrondoso de bilheteria. A um custo de 170 milhões, arrecadou pouco mais de 400 milhões de dólares. Além disso, recebeu críticas mistas quando foi lançado e, apesar de deixar uma brecha para a continuação com Quorra saindo do mundo virtual para o real, talvez o fator bilheteria também tenha encerrado a chance de uma possível continuação.  Os fãs do original de 1982 contudo, não gostarão nada de esperar mais trinta anos para retornar a esse interessante mundo virtual.

Cotação: 3/5

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