terça-feira, 7 de julho de 2015

A Fortaleza - 1993




Por Jason

A fortaleza é um filme classe C muito lembrado por ser reprisado constantemente na tv aberta como o péssimo Christopher Lambert, cuja carreira, mesmo depois do sucesso Highlander, não decolou. A ideia pode não ser original, mas é interessante. Num futuro distópico, o controle de natalidade proíbe que casais tenham mais de um filho ou serão presos. John Brennick (Christopher Lambert) foi pai pela primeira vez, mas o filho morreu. Ele é pego e ganha 31 anos de prisão ao se sacrificar para que sua mulher grávida do segundo filho consiga fugir e se esconder. É então enviado para uma prisão de segurança máxima num deserto, um sistema prisional particular mantido pela Men-Tel Corp. 


A penitenciária é subterrânea, se distribui por 33 andares e suas celas são seladas a laser. Lá, o turno de trabalho é mantido pelo computador Zed-10 e os prisioneiros desse chamado Sistema Inteligente de Segurança Psicológica (SISP) não podem sequer sonharem ou serão punidos por um scanner que os monitora 24 horas por dia e manda as informações para o diretor carrasco, Poe. Ao chegar lá eles recebem o Intestinator, um dispositivo implantado no sistema digestivo que emite um sinal. No caso de atravessarem a linha amarela, os prisioneiros são punidos. Se atravessarem a linha vermelha, o dispositivo explode. John precisa evitar os estupros e o líder que está lá em perpétua, numerado com um 187 na testa. Lá na prisão ele descobre que a mulher dele também está presa em outro nível, na ala feminina e, claro, os bebês das grávidas são propriedades da Men-tel. Mas tem mais. Nessa bizarrice, a solitária é uma máquina de lavagem cerebral e Poe, um velho carente que se revela um ciborgue super desenvolvido, e quer a mulher de Brennick para se "aliviar" e parecer humano. 

Antes de qualquer coisa, estamos falando de um filme pobre de baixo orçamento. Os cenários são mais falsos que nota de três reais. A iluminação é péssima, a montagem é capenga e as atuações são as piores possíveis. É o tipo de filme que ficaria bem nas mãos de alguém com a habilidade de Paul Verhoeven em transformar clichê em sátira já que a ideia, por mais interessante que seja, se dilui na execução terrível. Aqui, tudo é ilustrativo e nem a direção nem o roteiro deixam o espectador pensar em nada. Dois minutos depois da explicação do Intestinator, uma cena mostra de forma ilustrativa como se morre por ele quando um prisioneiro histérico explode. Segundos depois da informação sobre os lasers que selam as celas, John demonstra como eles agem. Os efeitos são capengas e o vilão é a essência da caricatura. Gente entra na trama sem ter o que fazer - o careca coadjuvante é uma das coisas mais absurdas. O dia a dia da prisão, claro, é representado pelas brigas e confusões entre os presos, mas um deles é despachado rapidamente com meia hora de produção atingido por um canhão que o transforma num bife esburacado. 

Os diálogos são péssimos, a trilha sonora é desastrosa e a trama de fuga é ultra vagabunda. Tudo é risível e parece saído de um filme mais velho - talvez se fosse feito uma década antes, o filme se tornasse um clássico. Em determinado momento, a mulher de John embebeda Poe e vai mandar uma mensagem através dos sonhos para que ele saia do coma. No outro, um ciborgue feito de borracha é capturado pelo grupo em fuga. Não dá para ignorar a sequência de combate envolvendo John e o caminhão que anda sozinho controlado por Zed-10. É constrangedor. A direção é de Stuart Gordon, roteirista de filmes como Os Invasores de Corpos - A Invasão Continua (1993), Querida, Estiquei o Bebê (1992), Querida, Encolhi as Crianças  (1989), e diretor de outra célebre bomba, Re-animator. Talvez, por ter esse currículo absurdo, o filme, apesar de absurdamente trash, ainda consiga divertir.

Cotação: 1/5

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