quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Em nome de... - 2013



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Por Jason


Adam é um padre católico que descobriu sua vocação como um servo de Deus com a idade relativamente tardia de 21 anos. Ele agora vive em uma aldeia na zona rural da Polônia, onde trabalha com adolescentes com problemas comportamentais que sofreram abusos. Ele se esquiva dos avanços de uma jovem loira chamada Ewa, dizendo que ele já está comprometido. Quando ele conhece Lukasz, o filho estranho e taciturno de uma simples família rural, algo começa a mudar nele na mesma proporção que ele tenta esconder dos outros sua condição: Adam é homossexual.

A vida privada e voltada para Cristo foi a forma encontrada por Adam para vencer os seus desejos carnais. Como se não bastasse, um novato problemático transferido para o local se relaciona sexualmente com um dos rapazes e é pego em flagrante pelo padre. A ação  leva o menino ao enforcamento. Adam tem duas  opções - terminar do mesmo jeito que o rapaz, pendurado numa árvore por uma corda no pescoço ou aprender a lidar com sua sexualidade mesmo depois de velho. Adam opta por fugir novamente com uma transferência, mas Lukasz vai atrás e os dois inevitavelmente consumam o ato. O que virá a partir daí, só Deus sabe.

Religião e sexualidade juntos num filme é sempre um tema de difícil desenvolvimento e abordagem, sem contar a polêmica que envolve o assunto. O filme nos mostra que por mais que exista toda a dedicação do ser humano voltada para a fé e para a religião, em algum momento a pessoa inevitavelmente quebrará e cederá aos seus instintos. Adam é uma pessoa amargurada, torturada, que tenta de toda forma lutar contra sua condição inutilmente ao invés de entendê-la e lidar com ela. Adam corre o dia todo tentando se livrar do fardo, esvaziar sua mente, controlar seus impulsos, mas vacila sempre que está perto do rapaz. Masturba-se, mas em seguida tenta orar para se livrar desse pecado. O padre se atola em bebida, se sentindo completamente culpado por sua condição ao passo que Lukasz está cada vez mais apaixonado por ele. Não por acaso, a figura de Lukasz lembra a de Jesus Cristo, com sua barba e cabelo grande e rosto inocente transfigurada de algum retrato católico saída da parede de alguma igreja.

Os problemas desse tipo de filme são os mesmos de sempre nesse gênero. Do protagonista e sua piração não dá para reclamar, muito menos da forma como o relacionamento se desenvolve entre os dois. Mas o filme praticamente não tem coadjuvantes, já que nenhum se desenvolve e gente entra e sai para nada. A própria morte do adolescente, que deveria ser sentida por carregar o fardo de ser homossexual, é de uma nulidade dramática assustadora. Sobre Lucasz não se sabe nada, apenas que ele tocou fogo em um celeiro - sabe-se lá se o motivo não foi uma forma encontrada para externar sua insatisfação sexual. Pior é a parte da igreja, que deveria funcionar como uma denúncia sobre a forma como ela trata o problema, mas é resumida em apenas uma cena, quando o padre Adam é denunciado e a igreja promete investigar, ficando por isso mesmo. De qualquer forma, vale a visita.

Cotação: 2,5/5

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