segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Deuses e monstros - 1998



 http://i2.listal.com/image/837880/936full-gods-and-monsters-poster.jpg

Por Jason

James Whale nasceu em Dudley, Inglaterra, filho de um metalúrgico e de uma enfermeira. Ele não era muito forte para trabalhar na indústria como seus irmãos mais velhos, então arranjou um emprego de sapateiro. Em outubro de 1915, com o início da I Guerra Mundial, James Whale se alistou no exército e esteve no regimento de Worcestershire em julho de 1916. Foi feito prisioneiro de guerra em agosto de 1917, quando continuou a desenhar e escrever, descobrindo seu talento para as produções teatrais.

MIgrando para Hollywood, Whale teve seu grande momento quando dirigiu o filme Frankenstein (1931) e a sequência, A noiva de Frankenstein (1935), além de O homem invisível (1933), feitos para a Universal Pictures e todos grande sucessos de bilheteria. O filme Deuses e Monstros, adaptado do romance O pai de Frankenstein, parte de Whale já velho, que está sofrendo alucinações e com estado mental degenerativo depois de sofrer um derrame. Sua empregada Hanna acaba contratando um jardineiro, Boone (Brendan Fraser) por quem Whale, abertamente homossexual, começa a desenvolver uma obsessão.

Convidado a posar para uma pintura, Boone aceita, já que será pago e enquanto o atrai, Whale vai tendo bloqueios mentais, em que se recorda de sua juventude, dos amores perdidos. Paralelo a isso, a vida de Boone vai mudando, com seus relacionamentos fracassados. O relacionamento dos dois passa por altos e baixos, seja por preconceito de Boone, com Boone despertando interesse e fascínio pelas criações de Whale, seja pela loucura de Whale, que o deseja. Debilitado, com depressão, Whale se suicidou em sua casa na Califórnia, ao se afogar na piscina, em 29 de maio de 1957, com 67 anos de idade.

O ponto baixo é a trama mal amarrada de Boone com sua parceira sexual, que em nada acrescenta ao filme - Lolita Davidovich, seu interesse amoroso, aparece e desaparece mais rápido que um raio, apenas para questionar o modo de vida do rapaz. Fraser, então galã e astro de filmes de sucesso como A múmia, envelheceria muito mal e desapareceria dos radares de Hollywood, não comprometendo o resultado aqui, em atuação esforçada. Com mais de quarenta prêmios, o filme tem em Ian McKellen seu maior trunfo. Ian, excepcional, traduz na tela toda a piração, carência, solidão, arrependimento e obsessão pela qual Whale passa no fim da vida. Aos poucos, Ian faz com que Whale vá se transformando em sua própria cria, um doutor que passa a ver Boone como o monstro que deve matá-lo, para livrá-lo do destino medíocre que a vida tomou.

Ao seu lado, Lynn Redgrave, como Hanna, a empregada que ama o patrão mas que odeia seu modo de vida, defende sua personagem ranzinza com presença de cena formidável. É filme apoiado no talento dessa dupla principal, que deita e rola no roteiro com facilidade e domina a tela do começo ao fim. Ambos foram indicados merecidamente ao Oscar e o filme acabou levando o prêmio de melhor roteiro adaptado para Bill Condon, diretor de Dreamgirls, Kinsey e do comentado Sr Holmes, novamente com Ian McKellen. Condon, aliás, consegue traduzir na tela momentos de pura poesia, como a sequência de reconstituição de A noiva de Frankenstein e o momento das filmagens do seu nascimento - ou a brilhante cena em que Boone leva Whale de volta para as trincheiras da guerra, para que ele possa descansar ao lado do homem que o amou. Filmão.

Cotação: 4/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...