domingo, 27 de setembro de 2015

Everest - 2015





Por Jason

"Everest" segue duas das expedições reais que sofreram baixas sobre a montanha em 1996. Os líderes de expedição Rob Hall (Jason Clarke), da empresa Adventure Consultants, e Scott Fischer (Jake Gyllenhaal), da Mountain Madness , decidem trabalhar juntos devido ao grande número de pessoas que tentam atingir o pico acima de 8000 metros de altura da montanha mais alta do mundo. No grupo estão Beck Weathers (Josh Brolin), Doug Hansen (John Hawkes), um carteiro que queria provar que pessoas comuns podiam chegar ao topo, e Jon Krakauer (Michael Kelly), um jornalista que mais tarde, após a tragédia que se abateria sobre eles, publicaria o romance "No ar rarefeito", umas das bases para o filme aqui em questão.

O filme começa e se desenrola com a equipe de Hall. Hall era experiente alpinista da Nova Zelândia que já havia subido ao topo do Everest quatro vezes, incluindo uma vez com sua esposa, Jan (Keira Knightley), que estava grávida naquele momento e permaneceu distante durante a escalada. Como toda tragédia que se preze, o grupo já recebia algum tipo de prenúncio quando Beck, em uma travessia, quase morre num desfiladeiro, obrigando Hall a voltar para resgatá-lo. No retorno do pico, os montanhistas foram surpreendidos pela força da natureza, que despejou sobre eles rajadas violentas de ventos - os ventos no topo do Everest, perfurando a estratosfera, podem alcançar mais de 300 km/h - e, com queda brusca de temperatura, que pode passar os 70 ° C negativos. Hall morreria na montanha depois de horas de luta e agonia, não sem antes se despedir de sua esposa através de um telefone satélite. O mesmo destino teria Scott e outras seis pessoas. Quanto a Beck, que basicamente fecha o filme, apesar de ter passado mais tempo no monte e praticamente ser dado como morto, ele sobreviveria, sofrendo com ulcerações e necrose na pele nas mãos, dos pés e no rosto devido ao frio intenso que resultaria em cirurgias e sérias amputações.

Com riqueza de informações e detalhes trágicos envolvendo os alpinistas e suas vidas pessoais, o filme poderia render um drama épico inesquecível sobre a luta do homem contra a força da natureza e a tentativa desesperada de sobrevivência, fosse nos moldes de filmes emocionantes como "Mar em fúria" ou um tanto chocantes pelo rumo tomado pelo destino das vítimas, como "Vivos". Contudo, não é difícil prever os motivos de "Everest" patinar nas bilheterias. Mesmo com um elenco estelar, ao custo de 55 milhões de dólares e com parte técnica competente, o filme teve recepção da crítica em festivais tão fria quanto o monte que lhe dá nome, tem notáveis problemas e enfrenta concorrência mais forte - forte, não significa melhor - entre as estreias. Everest não se decide se é um filme de tensão e aventura, se foca no drama real, se vira um filme catástrofe, e acaba apostando fazer tudo junto até virar uma bagunça.

O excesso de personagens prejudica completamente a trama, que agoniza até ganhar algum interesse quando a escalada começa até uma hora de filme, o momento da descida -, mas o sofrimento e o sentimento de angústia e desespero dos seus personagens nunca parece palpável, nunca conquista o espectador. Nunca nos envolvemos com eles, com a dor de estarem ilhados no monte prestes a morrerem congelados. Todos parecem unidimensionais, vazios, sem peso, superficiais. Não há uma atuação acima da média, para desespero das mulheres desperdiçadas na trama, incluindo ainda aqui Robin Wright, no papel de esposa de Beck e Keira, que não tem quase nada a fazer. A ótima Emily Watson é relegada a um telefone dando apoio para os alpinistas e momentos que deveriam ser de grande drama, como o último telefonema de Hall para a mulher, se perdem no meio da nevasca da mediocridade pela frieza com a qual o roteiro e a direção conduzem tudo. Em Everest, herói mesmo é um piloto de helicóptero: ele conseguiu o feito de realizar o resgate de Beck num lugar quase impossível, uma das evacuações médicas mais arriscadas em uma das maiores altitudes já registradas.

John Hawkes não consegue render, Sam Worthington continua de ruim a pior, Clarke, conhecido de tudo quanto é filme do momento, ainda não disse a que veio - seu personagem não consegue cativar -, já Jake parece com preguiça e Brolin parece uma caricatura, pouco demais vindo de um ator tão capaz. A trilha sonora é terrível, não empolga, não emociona - e o conjunto final não funciona. É diferente, por exemplo, do envolvimento que o espectador possui com outro filme baseado em uma história real de pessoas presas em uma montanha, o já citado "Vivos", de Frank Marshall: mesmo com excesso de personagens, ele conta de forma desesperadora como um grupo de pessoas isoladas nos Andes após a queda de um avião precisou se alimentar dos corpos congelados das vítimas para sobreviverem. Esqueça o medo e o nervosismo, esqueça profundidade, releve o final apático - Everest só quer dar aquela mensagem batida de que com a natureza não se brinca.


Cotação: 1/5

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