sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

O bom dinossauro - 2015





Por Jason


65 milhões de anos atrás o meteoro que deveria extinguir os dinossauros passou de raspão pelo planeta e os bichões então começaram a evoluir naturalmente. Agora, milhões de anos depois, os herbivoros cuidam de suas próprias plantações e suas fazendas. Arlo acaba de nascer, é um brontossauro miúdo, medroso e frágil, irmão dos espertos Libby e Buck. À medida que cresce, os irmãos vão se destacando em suas atividades na fazenda, como arar a terra ou descampá-la enquanto ele não consegue fazer nada certo. O pai tem uma ideia: a de capturar uma criatura que anda roubando as provisões de milho para o inverno. A criatura, como Arlo e o espectador descobrirão é, na verdade, um menino das cavernas.

Essa tentativa de capturá-lo leva a uma tragédia que arrasta Arlo para longe de casa. O menino encapetado das cavernas, que nessa "realidade alternativa" da evolução humana se comporta como um cachorro de estimação, acaba despertando o ódio em Arlo mas aos poucos, pela necessidade de sobrevivência, os dois começam a se entender. Arlo nomeia o garoto de "Spot" - e cria um vínculo de forte amizade enquanto tenta retornar para sua casa. No meio do caminho, pterodáctilos carniceiros, raptores ladrões de bovinos e um trio aloprado de tiranossauros cowboys que ensinarão Arlo a ter coragem e a sabedoria para conviver com seus medos e poder assim voltar para casa. 

O bom dinossauro fracassou em bilheterias e está aquém em rendimentos para os padrões da Disney/Pixar, arrecadando até o momento menos de duzentos milhões de dólares no mundo e se tornando um dos maiores prejuízos do estúdio já que o custo de produção da animação estourou em estimados 200 milhões de dólares (sem contar o marketing intensivo de mais de 150 milhões); ou seja, ainda sequer se pagou. Os problemas que a produção enfrentou para sair do papel foram muitos, a começar pela direção, que seria de Bob Peterson (de Up) e que foi removido do processo para dar lugar a outro diretor sob a alegação de lentidão na tomada de decisões no projeto. A trama foi recomeçada e os atores convocados a dublarem o filme, para, depois, serem descartados e substituídos por uma nova equipe com novos diálogos e cenas adicionadas por insatisfação da Disney. 

O resultado de toda essa loucura fica evidente na irregularidade do filme. Embora os personagens sejam caricaturalmente animados, as paisagens são tão realistas que muitas vezes parecem ter sido filmadas em locações originais - e esse contraste leva de cara ao estranhamento. Uma vez acostumado, surgem os problemas de roteiro. Personagens entram e saem sem muito o que fazer, como o estiracossauro louco (o pior) e os raptores, seres unidimensionais que pouco ou nada acrescentam à trama. Coisas acontecem apressadamente, com personagens morrendo sem deixar que o público possa sentir a perda e se envolver no drama. Os tiranossauros são legais e roubam a cena, mas os vilões são tediosos e não se destacam, com pouquíssimo tempo de tela, como se fossem criaturas recicladas de outras animações baratas. Há a trilha sonora, genérica e sem inspiração do premiado Michael Danna, vencedor do Oscar por As aventuras de Pi, que faz aqui um trabalho descartável e a nulidade em comicidade e gags que ajudam a entreter e divertir. 

O filme desenvolve bem a relação de Arlo com o pai, figura na qual o jovem procura se inspirar, mas esquece do restante da família, a qual nunca sentimos como eles se saem e como estão se virando enquanto o frágil dino tenta voltar para casa - e isso leva a outro problema, o final apressado e insosso. Entretanto, o que salva O bom dinossauro é o desenvolvimento da amizade entre Arlo e Spot, de concepção redonda e desenvolvimento perfeito, e os momentos de arrombo de imaginação que ocorrem durante a jornada dos dois. Em uma bela sequência, Arlo mostra a mágica dos vaga-lumes que aprendeu com o pai para um deslumbrado Spot; numa cena criativa, explica o que é ter uma família usando gravetos e, talvez na parte mais admirável, encontra um personagem que ama após ser atingido por uma pedra e ficar desacordado. Por fim, atire a primeira pedra quem não se emocionar com a despedida em silêncio dos dois personagens. Pode ser que a animação não marque, nem vire um clássico, mas mesmo com um trabalho irregular o estúdio ainda consegue manter um padrão superior ao de muitos concorrentes. 

Cotação: 3/5 

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