terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Os 33 - 2015




Por Jason



Em Agosto de 2010, 700 metros abaixo do solo, 33 mineiros foram surpreendidos por um desmoronamento na mina de San Jose, no Chile. Com uma entrada apenas, bloqueada com o desabamento, os homens foram simplesmente deixados pela direção da mina, que ignorou os alertas de um funcionário que ela estava prestes a desabar, alegando que ela suportaria pelo menos mais vinte anos de exploração de ouro e cobre. Enquanto os homens se viravam como podiam lá embaixo à espera de um resgate - que só aconteceria 71 dias depois -, isolados e sem esperança de que saíssem vivos, na superfície os familiares cobravam do governo e da empresa o resgate dos homens - ou, na pior das hipóteses, dos seus corpos.

Histórias dramáticas de sobrevivência em lugares extremos acontecem todos os dias em todos os cantos do mundo, todos os anos, e algumas são marcantes como a tragédia dos jovens jogadores uruguaios de Rúgbi do voo 571, que caíram na cordilheira dos Andes em 1972 e foram forçados a comer a carne dos companheiros mortos para sobreviverem (e que rendeu um bom filme, Vivos, de 1993). O drama dos mineiros por si só já renderia um filme impactante e, talvez, inesquecível, nas mãos de pessoas habilidosas, pois se trata, antes de mais nada, de um filme de sobrevivência e resgate. Não é o caso aqui.    

Baseado no livro de Hector Tobar, jornalista americano, o filme traz uma direção quase amadora, com um aspecto de novela mexicana - não a toa, a diretora do filme é do México. Até a sequência de desmoronamento são apenas quinze minutos, sendo impossível apresentar e desenvolver qualquer empatia pelos personagens que são, pela quantidade, um excesso que o roteiro não sabe lapidar. Antonio Banderas é o líder do grupo - Mario Sepulveda - responsável por manter a esperança dos homens e a ordem antes que eles enlouqueçam e se destruam em confusões; Rodrigo Santoro é Laurence Golborne, ministro de Minas e Energia que tenta a todo custo o resgate dos homens; Juliette Binoche é Maria Segovia, cujo irmão problemático está preso na mina. 

Não há uma atuação digna de nota - enquanto Santoro é uma caricatura, Banderas é incapaz de segurar o filme sozinho, com sua atuação histérica e fora do tom. Há os outros que fazem pouco ou nada - Lou Diamond Phillips nunca prestou, Gabriel Byrne roda no automático e Adriana Barraza, James Brolin e Bob Gunton praticamente não tem o que fazer em cena (os outros homens presos na mina estão ali para fazerem volume). Complica ainda mais a superficialidade com que a direção trata dos conflitos entre os homens e os dramas pessoais (o de Maria, personagem de Binoche é o pior), da clicheria absurda apelativa sustentada pela trilha sonora de sopro enfadonha e sem inspiração do falecido James Horner. Se há um ponto louvável é na reta final do filme, quando a tragédia vira um circo midiático, com um acampamento montado do lado de fora da mina. Mas é pouco. Até lá, o filme já desmoronou.

Cotação: 1/5

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