sábado, 26 de dezembro de 2015

Sicario Terra de Ninguém - 2015






Por Jason

No México, Sicario significa assassinato por encomenda. O filme de mesmo nome começa com uma operação contra traficantes em Fênix, liderada pela agente Kate (Emily Blunt). Durante o processo, o FBI descobre nas paredes falsas da casa invadida uma série de 42 cadáveres, todos com sinais de tortura. Os agentes não sabem do que se trata nem o motivo para que aquelas pessoas terminassem emparedadas e, durante a operação, dois homens acabam vaporizados por uma bomba plantada pelos traficantes. Mesmo não sendo do departamento de narcóticos (ela é do departamento de sequestros), o Estado está expandindo as investigações contra o cartel de drogas na figura de seu representante Matt (Josh Brolin) e convida Kate por ela possuir experiência tática de campo. 

Querendo pegar os responsáveis pelo ato, Kate embarca com um mexicano, Alejandro (Benício Del Toro) para a fronteira com o México - a "terra de ninguém" - na cidade de Juarez, onde, novamente, mais cadáveres são encontrados, desta vez decapitados e pendurados em uma ponte para serem expostos para população. O líder da carnificina é o chamado Manuel Diaz e o grupo consegue capturar um traficante, não sem antes descarregar bala na fronteira num engarrafamento, ameaçando a vida de civis ao redor. Kate percebe no que se meteu quase tardiamente, servindo até de isca involuntariamente e precisa, com urgência, entrar na jogada ou, se bobear, virará presunto também. O problema é que o buraco é maior - e mais fundo - do que ela pensa.

A direção do filme é tensa, nada diferente do que se espera de Denis Villeneuve (de Os Suspeito e O homem duplicado), o elenco é homogêneo e conta com a competência habitual de Brolin e Del Toro, mas é em Blunt que está seu maior mérito. Divorciada, idealista, desconfiada, reservada, sem filhos, um tanto ingênua mas obstinada, a personagem de Blunt cai no meio de uma trama envolvendo pessoas que não são o que dizem ou demonstram ser, no meio de violência, tráfico de drogas, assassinato, tortura e corrupção. Aos poucos, precisa mudar de agente com postura passiva para atuar mais ativamente se quiser descobrir a verdade e, mais do que tudo, jogar o jogo dos homens - não por acaso, ela é uma mulher oprimida pela falta de lei e no meio de monte de marmanjos que não hesitam em bater nela se preciso for - para sobreviver a essa guerra civil. Mas o filme tem problemas. 

Do ponto de vista do roteiro, fica claro desde o começo que o personagem de Del Toro não é alguém de confiança, salientado a todo momento pelo fato de que Blunt o olha com desconfiança desde o primeiro instante em que se encontram. Del Toro parece o tempo todo com uma placa na testa alertando que seu personagem não é flor que se cheire - e uma revelação o envolvendo chega soando um tanto perdida e sem peso. Fica difícil também digerir o fato de que Kate, experiente em ação, caia em ciladas tolas e dê tanto vacilo a ponto de quase levar um tiro na cabeça no meio do trânsito. Não ajuda a parte solta no meio do filme do policial corrupto, pai de família, que chega e sai desnecessariamente. Nos momentos finais, o filme transforma o personagem de Del Toro num vingador pessoal mais ninja que o Rambo na busca por vingança contra o barão do narcotráfico, que mora numa mansão com (pasme) um punhado de segurança. Pior para o coadjuvante negro colega de profissão de Kate, que nem a direção sabe o motivo de estar ali. O saldo final, no entanto, é positivo e o filme funciona como um thriller que vale a pena ser visto.

Cotação: 4/5  

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