sábado, 30 de janeiro de 2016

Ponte dos espiões - 2015




Por Jason

Na época da Guerra Fria, os Estados Unidos e a União Soviética possuíam espiões infiltrados em ambos os países e eles eram caçados por suas agências investigativas. Abel (Mark Rylance), um senhor que pinta quadros, acima de qualquer suspeita, é um desses espiões acusado de crimes e conspirações contra o Estado. Ao ser capturado, o advogado Jim Donovan (Tom Hanks) é convocado pela justiça americana para defendê-lo, já que conhece direito penal e foi um dos advogados de acusação do julgamento de Nuremberg. A alegação é a de que Abel deve ter um julgamento justo, já que ele pode ser condenado à morte - o que, para a população, seria motivo de orgulho nacional. 

É com esse mote que o mais recente filme de Steven Spielberg se desenrola. Não bastassem as acusações que recaem sobre Abel, há, no entanto, vários problemas no caso. Jim, embora não quisesse se envolver, acaba percebendo que há irregularidades como a falta de um mandado de busca e apreensão. Sua família também se encontra em perigo, assim como ele mesmo, já que existe uma pressão popular para que o espião seja enforcado, pânico de pessoas que não entendem o que está ocorrendo e acredita que Jim precisa defender o país e não um soviético. Jim percebe também que Abel pode servir como moeda de troca, pois há espiões americanos em solo soviético - um grupo de jovens militares é elevado a condição de investigadores da CIA que coletarão informações preciosas da União Soviética e um deles é capturado. Como se não bastasse, um estudante americano também é capturado, na Alemanha Oriental dominada pelos soviéticos, e Jim enviado para a negociação complicada de entrega de Abel pelos dois rapazes. A melhor saída, para ele, será a diplomática - o que não será nem um pouco fácil.

Um dos méritos do filme é sem dúvidas Mark Rylance. O ator transmite uma frieza incômoda mas que, ao mesmo tempo, consegue tornar o personagem em uma pessoa simpática. Sem demonstrar emoção mesmo sabendo que pode ir para a cadeira elétrica, Rylance rouba o filme e consegue se sobressair ao trabalho de Hanks, que aqui mantém os maneirismos de sempre, em sua atuação de homem comum prestes a virar um herói. Há, por trás do velho espião russo, importante salientar, também um artista, autor de belas pinturas, que Spielberg consegue expor de maneira sutil na ótima sequência de abertura, e um marido afastado por muito tempo de sua família pelo trabalho que ele segue com retidão inabalável. O ápice de sua atuação está em uma conversa com Jim, quando o ator sobra na tela, contando como conheceu um homem persistente quando era criança e que o inspirava.

Os outros méritos estão na parte técnica. A direção e a montagem são eficientes, que dão agilidade ao tom do filme, sem fazer com que a produção se torne um filme tedioso de julgamento e se prenda a uma trama de juri. O roteiro trabalha a paranoia americana de uma nova guerra, que acaba refletindo na juventude neurótica da nação, criando alienados como o filho de Donovan, a esta altura aprendendo métodos de como sobreviver a um ataque nuclear. O filme traz excelente reconstituição de época e momentos históricos, como a construção do muro de Berlim que isolaria a Alemanha Oriental pelos soviéticos até sua queda em 1989. Pesa contra o filme o desperdício de Amy Ryan, como a esposa de Jim, que não tem muito o que fazer - e gente que entra no meio da trama e parece não ter qualquer importância em termos de construção de personagens - o caso do estudante preso que Jim quer resgatar é o mais grave. Nada que diminua o ótimo resultado final.

Cotação: 4/5

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