domingo, 10 de janeiro de 2016

Spotlight - Segredos revelados - 2015





Por Jason


Baseado em uma história real, o superestimado Spotlight começa em 1976, com a prisão de um padre no 11º distrito de Boston. Em 2001, uma equipe de repórteres investigativos liderados por Walter (Michael Keaton), Mike Rezendes (Mark Ruffalo) e Sacha (Rachel McAdams) recebem a missão de Baron (Liev Schreiber) de investigarem um padre, John Geoghan, que abusou de 80 crianças nos últimos trinta anos. O grupo começa a reunir documentos capazes de provar o acontecimento, mas acaba se deparando cada vez mais com diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos. 

Durante anos, líderes religiosos ocultaram o caso transferindo os padres de região, ao invés de puni-los pelo caso. Para complicar ainda mais, há o esquecimento dos casos  e o silêncio das vítimas, que não querem falar por medo e vergonha e as barreiras do própria sistema penal americano. A igreja é forte,  tem grande influência social, a fiança para esse tipo de crime é pequena e os casos abafados pela instituição em acordos com advogados para que os processos não cheguem aos tribunais. Em Dezembro de 2002, depois de muita investigação, a matéria finalmente sairia, causando um escândalo que abalaria a igreja e afastaria de uma vez o cardeal Bernard Law, de Boston. Geoghan, o padre encoberto, foi condenado a dez anos de prisão acusado de estuprar mais de 130 crianças durante trinta anos. Os jornalistas receberiam o prêmio Pulitzer no ano seguinte. Atualmente, um relatório anual é realizado para fiscalizar o progresso da Carta de Proteção à Criança, adotada por bispos americanos depois desse escândalo.

Nesse contexto, o filme poderia pegar fogo, mas a opção do roteiro e da direção é completamente diferente - e, por assim dizer, a pior. Há alguns momentos importantes, como quando o espectador descobre como os padres agem: o modo de ação dos padres é semelhante ao de psicopatas, preferindo suas vítimas, por exemplo, pela condição social. O problema é tão sério e forte que não se trata aqui apenas de um abuso sexual em nome de Deus, mas de um abuso moral, psicológico e espiritual que acaba com a infância e, sem o devido acompanhamento de profissionais de saúde, resulta em traumas violentos pelo resto da vida e em adultos problemáticos, infelizes, depressivos e potenciais suicidas. Em outro bom momento, as vítimas relatam como se deram as ações dos padres, deixando visíveis as suas sequelas (apesar de desconhecidos, essas participações roubam atenção do filme). A história é linear, contada sem arrombo, e interessante por tratar de um tema atual que merece e precisa ser discutido. 

Os problemas, contudo, são inúmeros e saltam os olhos. O elenco passa o tempo todo apenas correndo pra lá e pra cá atrás das pistas e levantando os dados. Ninguém consegue transpor a sensação de unidimensionalidade - todos os personagens principais da trama são esquecíveis, androides de péssimo desenvolvimento, rasos, quando não estão cheios de tiques (Keaton, com o a mão no rosto e na bochecha e Rachel, fazendo cara de paisagem toda vez que descobre alguma coisa, o que alguns resolveram chamar de atuação). O desperdício de Stanley Tucci é talvez o mais gritante. Não é culpa do elenco, já que todo mundo poderia render, mas todo mundo parece prejudicado mesmo pelo roteiro que não permite ninguém se sobressair. O espectador não torce por eles, não se envolve com a trama, não há dramas pessoais. É tudo mecânico, sem peso, superficial. 

É estranho, por exemplo, que a trama não drague o impacto na vida desses jornalistas e o único que demonstre alguma insatisfação com tudo seja o personagem Mike, que Mark Ruffalo, em um momento fora do tom no melhor estilo Jessica Chastain em A hora mais escura, o expõe em uma discussão. A direção se esquece que um filme baseado em fatos reais precisa não apenas relatar o que aconteceu, ele precisa de personagens que puxem o espectador para o meio da trama, a sustentem e vivenciem até o final. O resultado é que o filme parece um episódio de uma série ou um programa nos moldes do Discovery Channel - só faltou uma narração OFF contando a dramatização que se vê na tela. De brinde, há a trilha sonora, pobre e enfadonha, que permeia todo o filme e o deixa com aquela cara superficial de Supercine barato. Falta arrojo, falta estofo dramático. Ao fim, Spotlight é um filme com um tema quente, importante, mas de resultado frio e que se torna esquecível pouco depois de terminar.  

Cotação: 2/5

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