terça-feira, 29 de março de 2016

Tormenta - 1996






Por Jason

Baseado em uma história real, o filme de Ridley Scott, Tormenta, está completando vinte anos. Traz Jeff Bridges como Skipper Sheldon, o capitão do veleiro Albatroz, um navio-escola e que, junto com Alice (Caroline Goodall), sua mulher, pretende transformar um grupo de jovens em homens. No decorrer da viagem o medo que os alunos sentem pelo capitão é substituído por respeito e admiração, mas uma tragédia poderá colocar esta confiança em risco. 


A história é contada por um dos alunos, Chuck Gieg (Scott Wolf, que tinha vinte e nove anos durante a produção mas interpretava um rapaz de quinze anos), enfatizando seu relacionamento com os outros rapazes (que inclui um jovem Ryan Phillipe, péssimo como sempre) e com o capitão, além do dia a dia no navio até a fatídica tempestade que dá título ao filme. Logo após o temporal, o capitão é levado ao banco dos réus por negligência, onde tentam tirar sua permissão para navegação, já que durante a tempestade, tripulantes acabaram morrendo.

Tragédias marítimas não são e não eram até então novidades e volta e meia reaparecem nos cinemas com resultado dos mais variados, desde a mais celebre de todas, do bilionário Titanic, de James Cameron - que aportaria no final do ano seguinte nos cinemas - passando pelo sucesso de  Mar em fúria e chegando aos recentes fracassos de No coração do mar e Horas Decisivas. O cinema catástrofe costuma levar muitas pessoas ao cinema, o que não ocorreu aqui pois o filme foi um fracasso de bilheteria e de crítica. Scott filma com seu rigor técnico de praxe, cuidadoso nos detalhes e na forma como fotografa o navio e o dia a dia dos rapazes. Sua câmera é tão próxima que em determinados momentos sentimos a água espirrar em nossa cara e o balanço do veleiro nos causando náuseaNada salva, contudo, o filme do naufrágio. 

O filme é tedioso, demora para engrenar, tem ritmo sonolento, personagens desinteressantes, se arrastando até as cenas de tempestade e depois se transformando em um dramalhão tipicamente Hollywoodiano aos 45 do segundo tempo. Reza a lenda que em uma apresentação para a imprensa na época de seu lançamento, os jornalistas dormiram. Há os desvios de rota do roteiro. O filme passa pela presença de estudantes a bordo, mulheres que são levadas de barco pela equipe, mas que pouco ou nada acrescentam à trama. Os coadjuvantes estão lá aos montes, mas sequer nos lembramos deles. Há também a clicheria típica, como se acontecimentos prenunciassem a catástrofe que está por vir - gente que cai no mar e volta, gente que tem estranhos pesadelos, vento forte fazendo balançar o barco e fazendo todo mundo passar mal, um golfinho assassinado com um arpão e marretadas, problemas com a guarda costeira do país. A esposa do capitão tem tão pouco a fazer - e a dizer - que quando ela sai de cena pouco importa. 

No meio do filme, os pais de um dos rapazes surgem do nada e Chuck se envolve com uma das estudantes, mas são relacionamentos que não conseguem fazer a trama avançar, não se desenvolvem. A parte que interessa, a da tempestade, dura uns quinze minutos - e é quando se tem uma noção da pobreza da produção. Tormenta é, também, um espetáculo homo erótico. Os rapazes estão quase sempre sem camisa, desfilando seus corpos suados pelo convés do barco. O personagem de Scott Wolf parece apaixonado pelo capitão desde o primeiro momento em que o vê entrar em cena e o diretor enfatiza a forma como o rapaz o enxerga dando um close do rosto do ator praticamente toda vez que ele vê o capitão. O ápice da breguice é a choradeira do menino ao final. De bônus, a trilha sonora é completamente sem inspiração e traz Sting cantando a (terrível) música tema.

Jeff Bridges traz alguma dignidade, em previsível, porém, boa performance - meio Robin Williams e sua Sociedade dos Poetas Mortos. Quanto a Wolf era uma promessa, pois na época estava em uma série de sucesso (O quinteto) e alguns o apontavam como o novo Tom Cruise, mas o tempo o encarregou de lançá-lo no ostracismo. Com relação aos outros, só Ryan Phillipe conseguiu algum destaque no cinema, todos são descartáveis, com personagens superficiais. Ao final, Tormenta se torna, no pior dos sentidos, uma verdadeira tormenta para o espectador.

Cotação: 1/5

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