segunda-feira, 13 de junho de 2016

O primeiro que disse - 2010






Por Jason


Em O primeiro que disse, o personagem Tommaso pertence a uma família tradicional italiana dona de uma fábrica de massas. Ele chega a cidade para uma reunião com os familiares que acreditam que ele foi estudar e se formar em Administração em Roma - mas Tommaso se formou em Letras e deseja fortemente se tornar um escritor. Está com um livro já feito, aguardando a autorização de uma editora. Há mais um detalhe, obviamente: Tommaso é gay. 

Ele, porém, não é o único homossexual da família. Durante um jantar, seu irmão mais velho Antônio assume que é homossexual antes dele e o fato então muda o rumo da família, deixando todos desorientados. Antonio mantinha um relacionamento com um rapaz da fábrica, Michele, mas foi obrigado a demiti-lo para esconder sua sexualidade, mantendo-o distante em um local escondido para que pudessem se ver. Isso fez com que Michele rompesse com Antonio e, a partir daquele momento, Antonio estivesse disposto a fazer de tudo para que os dois ficassem juntos. 

O pai preconceituoso expulsa Antonio de casa e acaba infartando, a mãe não aceita e todos, a exceção da avó, tem medo do que as pessoas dirão, da fofoca que se espalhará na cidade. Tommaso então acaba escondendo o fato. Para complicar a situação, seu pai pede ajuda a ele e o rapaz vai acabar trabalhando a contragosto na empresa. Ele desenvolve uma estranha atração por uma mulher, Alba, e é incentivado pelo pai a ficar com ela, mas o namorado de Tommaso resolve fazer uma visita surpresa levando seus amigos afeminados, que precisarão esconder a sexualidade para não prejudicá-lo. A morte de um integrante da família, no entanto, mudará o rumo daquelas pessoas mais uma vez.   

É no momento da chegada dos amigos que o filme tenta se segurar nas suas gagues cômicas atoladas de clichês e se esforça para ser divertido, com os quatro amigos se enrolando para posarem de machões enquanto deixam escapar aqui e ali a sexualidade. Esforça-se, também, na clicheria, em diálogos panfletários saídos de romances de auto ajuda metralhados sempre pela avó, para mostrar que todos devem ser mais verdadeiros uns com os outros. Há, no desejo da senhora, uma vontade de mudar, enquanto se mantém arrependida por ter vivido de uma forma que não queria e finge estar bem com toda a situação, presa em uma vida que poderia ter sido diferente se ela se relacionasse com o cunhado - a quem ela guardava seu verdadeiro amor. 

Todos os personagens aliás, vivem de aparências, fingem coisas que não são. O pai  de Tommaso mantém um relacionamento com uma amante e finge que não tem, enquanto a mãe do rapaz ignora fingindo que não sabe de nada; Tommaso finge que está tudo bem, há uma tia que se relaciona com um homem toda noite e que entra pela janela - para, quando ele ir embora, pedir socorro gritando e fingindo que um ladrão invadiu a casa; Alba finge que não dói ao entender que está apaixonada por um homossexual, cuja união tão sonhada - ele seria o par perfeito para ela - não ocorrerá; isso sem falar dos outros que fingem que não sabem que Tommaso é homossexual. 

Tudo isso daria um filme interessante, se houvesse carga dramática suficiente, o que não há. Há algo de errado em um filme com temático do gênero quando o casal principal é mais desinteressante do que a subtrama de uma velha senhora. Há cenas bem elaboradas, como na sobrenatural despedida de um parente e na edição final; o filme também tem boa fotografia e parece ter sido bem recebido pela crítica, mas não dá para ignorar o tanto que ele força o triângulo amoroso entre Tommaso, Alba e o namorado, algo desinteressante dentro da trama. 

Some a isso o fato de que tem uma trilha sonora horrível, problema de ritmo, excesso de gente inútil e o roteiro, além de passar por cima de outros tantos personagens, sacrifica o desenvolvimento de Antonio - que some e volta depois das tantas. Nunca se sente a importância de Michele dentro do contexto, porque este não aparece, não vemos o relacionamento entre eles e o ator que faz Antonio parece deslocado no papel, sem convencer em momento algum. Dizem que o filme trata de um tema ainda tabu nas produções cinematográficas italianas e soa até leve e bem intencionado. Mas de boas intenções, como sabemos, o inferno está cheio.

Cotação: 1/5

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