segunda-feira, 27 de junho de 2016

Zootopia - 2016




Por Jason


Em Zootopia, Judy Hopps é uma coelhinha que mora em uma fazenda isolada, filha de agricultores que plantam cenouras há muito tempo. Mas ela tem sonhos maiores: pretende se mudar para a cidade grande, Zootopia, onde todas as espécies de animais convivem em harmonia, na intenção de se tornar a primeira coelha policial. A decisão, obviamente, desagrada os seus pais, que querem que ela continue na família plantando cenouras.

Judy enfrenta o preconceito não só do lugar em que vive, o típico lugar no meio do nada onde nada acontece, como também preconceito, posteriormente, dentro da corporação povoada por búfalos, elefantes, lobos, rinocerontes e predadores como leões e tigres. Ela é designada pelo chefe a ser guarda de trânsito mas o destino leva a encontrar a raposa Nick Wilde, conhecido por sua malícia, seus golpes e suas infrações. A inesperada dupla acaba se dedicando à busca de um animal desaparecido, uma lontra, descobrindo uma conspiração que afeta toda a cidade: depois de anos de evolução, alguns dos animais retornaram a bestialidade, o que pode comprometer a convivência pacífica entre eles. 

O filme tem um conceito visual simples, porém muito harmônico. O elenco tem nomes conhecidos como Octavia Spencer, Shakira, J.K Simmons e Idris Elba e as proporções entre os animais foram respeitadas; soluções para a convivência entre eles não foram esquecidas, como o fato de que os ratos vivem em um bairro com prédios pequenos, como uma miniatura. Os personagens são cativantes, embora o roteiro caia no clichê e na previsibilidade do desenvolvimento do relacionamento entre Judy e Nick e a trama simples de investigação - estamos falando de um filme infantil antes de tudo - demore a embalar. Há passagens divertidas, como a do departamento de trânsito, onde os atendentes são todos bichos preguiças; e algumas referências ao Poderoso Chefão e a outros filmes da Disney (preste atenção no vendedor de Dvds piratas) dentre outros. Mas é o paralelo com a vida real a carta na manga do filme e Judy, por exemplo, é a personagem perfeita para ilustrar essa metáfora. 

Ela é "mulher", pequena, frágil, subestimada, depreciada, com sonhos, num mundo machista de brutamontes, e que precisa enfrentar a burocracia de um sistema aparente de harmonia mas que na verdade está contaminado por racismo. O próprio Nick também é uma vítima por ser uma raposa, cujo conceito nesta sociedade era o pior possível - a sociedade sempre veria as raposas como seres não confiáveis. Permeiam pela produção outros temas, como a influência da tecnologia e das celebridades, que atinge até o chefe da corporação, sem contudo profundidade. Nem precisa. Ao final, Zootopia pode não ser a redenção em animação, mas tem uma mensagem atual e uma trama consistente para cativar público infantil e adulto.

Cotação: 3,5/5

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