domingo, 31 de julho de 2016

Angry Birds - O filme - 2016




Por Jason

Adaptação do jogo Angry Birds, uma das maiores franquias mundiais de entretenimento, o filme conta a história de Red, um pássaro com problemas para controlar sua raiva. Red vive em uma ilha com outros pássaros, onde a raiva foi banida e onde todos vivem em harmonia. Por já ter sido excluído da sociedade, obrigado a morar afastado, é punido com o curso de controle de raiva, onde conhece o veloz Chuck, o bobalhão Bomba, o grandalhão Terrence, que vive rugindo (voz - ou rosnado - de Sean Penn), e a professora Matilda. De repente, misteriosos porquinhos verdes invadem a ilha onde moram, já destruindo a casa de Red, que tentará descobrir o plano da gangue suína.

Para tal, eles precisam pedir ajuda a mega águia, a entidade que rege a ilha, o único pássaro nela que supostamente seria capaz de voar, e que eles não sabem sequer se a criatura se trata de uma lenda ou se realmente existe. Lá, descobrem que a mega águia a quem adoram não passa de uma águia gorda e velha. O trio precisa retornar rapidamente e tentar impedir que os porcos coloquem em prática o plano de roubar todos os ovos da ilha e se unirem com os habitantes para recuperá-los. 

O filme custou uma mixaria para os padrões do gênero, 73 milhões de dólares, mas o estúdio Sony deve estar tranquilo com os mais de 340 milhões arrecadados em bilheterias, o que pode garantir uma continuação. Do time de personagens, é Chucky o mais aloprado e mais divertido. A manobra dos produtores e do roteiro é transformar um jogo sem uma trama definida com um roteiro que possa render gagues cômicas, e que agrade adultos e crianças. O filme parece ter ficado no meio do caminho. Há piadas escatológicas que às vezes funciona e às vezes não - a da mega águia urinando no lago é talvez a melhor -, há bastante colorido e a qualidade técnica não decepciona, mas falta carga dramática, atrapalhada pelo ritmo frenético, pela simplicidade e personagens coadjuvantes mal desenvolvidos. 

Há esforços em parecer mais do que uma diversão passageira, como um curioso paralelo sobre colonização: os porcos limpam o terreno dos pássaros oferecendo em troca coisas mais modernas, nada diferente do que os europeus faziam com os índios ao chegarem nas Américas. Paralelos sobre exclusão social e preconceito permeiam a trama e personagens rompem qualquer barreira de gênero (preste atenção no personagem Chucky...), não por acaso, Red sofria preconceito por ter sobrancelhas grossas, por ser diferente dos demais, por não ter pais e por não conseguir controlar sua raiva - e ensina sem querer que um sentimento ruim como a fúria pode ser útil de alguma forma no convívio e em sua reintegração. É a velha fórmula batida do herói improvável, já vista em outros filmes e animações. Mas se Angry Birds não muda o mundo, nem é profundo como um Pixar - e nem precisa -, pelo menos se garante como um divertido passatempo.

Cotação: 2/5 

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