domingo, 17 de julho de 2016

Voando Alto - 2016




Por Jason


Baseado em fatos reais, o filme abre com um prólogo em 1973, com o pequeno e desajeitado Michael Edwards (ou Eddie, mais tarde interpretado por Taron Edgerton) um britânico com um problema no joelho esquerdo que sonhava em ir para as Olimpíadas. O tempo passa e Eddie mantém seu sonho, procurando por uma modalidade em que possa se realizar, na mesma medida em que quebra uma infinidade de óculos e vive se arrebentando. Filho de pais humildes, seu pai não o apoiava e queria que o menino fosse gesseiro como ele. Eddie acaba descobrindo o esqui. 

Inexperiente, ele se manda para Alemanha ao descobrir dentro do esqui a modalidade de salto olímpico. Lá, ele conhece Bronson Peary, campeão interestadual juvenil de 1968 (Hugh Jackman, em um personagem criado apenas para o filme) integrante da equipe do treinador americano Warren Sharp (Christopher Walken, em participação especial) que agora não passa de um motorista de trator bêbado. Depois de muita insistência de Eddie, Peary acaba treinando o rapaz para os saltos, não sem antes o menino quase morrer no salto de 70 metros. Não bastasse isso, o comitê olímpico também tenta barrá-lo, obrigando-o a saltar mais alto. Em 1988, Eddie finalmente conseguiria classificação para os jogos olímpicos de inverno de Calgary, no Canadá, e embora não conseguisse uma medalha, bateria o recorde britânico. Eddie, com seu jeito espontâneo e ingênuo, também ganharia a multidão e atrairia todas as atenções da mídia e do público mais do que qualquer outro competidor ou qualquer pessoa da delegação britânica.

A trilha sonora é cheia de sintetizadores, como um filme da década de 80 (a trama se passa na época, uma escolha óbvia da direção) mas às vezes parece mal utilizada. Taron aparece irregular, ora beirando a paródia, ora se esforçando para se expressar como o personagem real (é só prestar atenção em como ele fala e como ele deixa o queixo protuberante, tentando mimetizar o biografado), mas num personagem sempre cativante. Hugh Jackman faz o arroz com feijão, se apoiando no carisma de sempre. As mensagens do filme e, por consequência, da vida do atleta, são, claro, clichês - e o filme está atolado deles -, mas funcionam bem. É preciso notar que Eddie, curiosamente, não queria ganhar uma medalha, como supunha o treinador de Jackman. Ele não queria chegar em primeiro ou superar ninguém. Seu sonho chegava até o momento de alcançar a participação em um grande evento, provando que ele era capaz de realizá-lo. Sua vontade era o de dar o melhor de si, mesmo que isso resultasse no fracasso. Em um esporte perigoso, Eddie tinha um tanto coragem, loucura e muita determinação para alcançar o que queria, contra todo o resto do mundo que lhe dizia "não" e contra todos os que o subestimavam. 

Logo, o roteiro do filme é esquemático como um desenho Disney, com lances dramáticos de filmes de sessão da tarde, quase erguendo continuamente um cartaz em letras garrafais de neon, gritando para o espectador que este pode chegar aonde quiser, independente do que os outros vão dizer. Se o filme se trata de um lugar comum - o do drama edificante de esporte - e será esquecido depois que acabar, pouco importa. Até lá, a história já conquistou e o espectador já estará torcendo por Eddie.

Cotação: 3/5  

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