quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Invocação do Mal 2 - 2016





Por Jason


Baseado em uma história real, o filme abre com o casal Lorraine (Vera Farmiga) e Ed Warren (Patrick Wilson), a pedido da Igreja, investigando o famoso caso dos Lutz, em Amytiville em 1976, cuja família era atormentada por algo sobrenatural na casa em que morava, onde o antigo morador havia assassinado sua família. Em transe, Lorraine descobre na casa uma entidade demoníaca, uma freira de aparência satânica, e tem uma visão premonitória a respeito da morte de Ed, seu marido. A investigação colocou o casal na mídia e sob o olhar do público. Após esse incidente, outro ocorre, desta vez na Inglaterra envolvendo uma família, a Enfield, no que seria conhecido como o Caso Poltergeist de Enfield. 

Conforme registrado na mídia, uma mãe de quatro filhos, Peggy Hodgson (Frances O'Connor), com problemas financeiros e a filha de onze anos, Janet (Madison Wolfe) sendo acusada de causar problemas na escola, morava em uma casa assombrada por um espírito atormentado.  Coisas estranhas aconteciam na residência, como ruídos esquisitos, sons de pancadas, batidas fortes, portas que se abriam sozinhas, cadeiras e outras coisas que mudavam de lugar. A menina estava incorporando um espírito, deixando a irmã mais velha, Margareth, assustada. O filho Billy, de 7 anos, estava vendo coisas estranhas. Janet também começava a ver alguém, um velho, dentro de sua casa. A mãe, um tanto cética, ignorou no primeiro momento acreditando que tudo se tratava de pesadelo até ela mesma presenciar um móvel se mover sozinho.

Os vizinhos chamaram policiais, que presenciaram uma cadeira de mexer sozinha de um cômodo a outro e perceberam se tratar de algo que estava fora do alcance deles. O caso chamou atenção da mídia e, em gravações de áudio, supostamente se descobriu que a tormenta era causada pelo espírito de Bill Wilkins, um velho que teria morrido muitos anos antes na casa depois de ficar cego e ter uma hemorragia, partindo dessa para o além em uma cadeira no canto da escada da casa. É a partir daí que entra em cena o casal Ed e Lorraine para descobrir que havia, ali, uma presença pior que a do velho espírito perturbado.

O primeiro filme acertou em cheio ao trazer um terror subjetivo, mostrando menos para assustar mais, escorregando no final com uma sequência de possessão demoníaca e de exorcismo. Para o bem ou para mal, a continuação repete praticamente os mesmos erros e acertos do filme anterior, com a diferença de que agora há um foco um pouco maior no casal Ed e Lorraine. Boa atriz, Vera se sobressai ao time e acredita no seu personagem, relegando Patrick Wilson a sua simpática atuação. A menina Madison corre por fora, como uma grata surpresa da produção. 

A ambientação e a direção são outros pontos fortes do filme. O diretor James Wan usa planos sequências para ilustrar o ambiente e a dinâmica dos personagens e recorre a montagem para garantir os sustos. Os clichês estão lá - cena com espelho, todos nós já estamos cansados disso -, mas James, o mesmo do primeiro filme, transforma tudo num espetáculo de pular da cadeira. Não há trilha sonora gritando o tempo todo nos ouvidos - o som e os efeitos sonoros são, em sua maioria, as ferramentas usadas para o medo - e os efeitos visuais são quase que todos práticos, com maquiagem e próteses, o que garante um tipo de solidez visual não muito vista hoje, em tempos em que filmes do gênero apelam para o CGI. 

Há a cena dos crucifixos, cenas envolvendo a freira satânica e sequências como as do quarto das meninas e a do brinquedo do homem torto. Mas há também a falta de inventividade do primeiro - a sequência da brincadeira das palmas era algo aterrorizante. O o contraponto entre ceticismo e fé é atropelado pelo roteiro e poderia render algo mais profundo. O filme não deixa deduções para o público - Lorraine explica como chegou ao nome do demônio ao passo que flashbacks acabam mostrando o que ela diz sem que sobre nada para o espectador. Ao final, como no primeiro, há mais uma rápida possessão demoníaca carnavalesca resolvida em segundos. 

Inegável, contudo, que o filme é um sucesso comercial. Ao custo de míseros 40 milhões, arrecadou oito vezes mais em bilheterias, quase a mesma quantia do primeiro, e deverá render uma série de derivados como foi o caso de Annabelle, a boneca possuída pelo capeta. Invocação do Mal 2 não é a redenção no gênero, também não é um poço de originalidade - e nem precisa ser. É bom na proposta de entreter e funciona que é uma beleza. Que venha o terceiro.

Cotação: 3,5/5

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