sábado, 1 de outubro de 2016

Star Trek Sem fronteiras - 2016




Por Jason

Kirk (Chris Pine), Spock (Zachary Quinto) e a tripulação da Enterprise encontram-se no terceiro ano da missão de exploração do espaço prevista para durar cinco anos. Eles recebem um pedido de socorro que acaba os ligando ao maléfico vilão Krall (Idris Elba, atolado de maquiagem), um insurgente anti-Frota Estelar interessado em um objeto de posse do líder da nave, o Abronath. A Enterprise é atacada, e eles acabam em um planeta desconhecido, onde o grupo acaba sendo dividido em duplas.


O ator Idris Elba, coberto por pesada maquiagem
Chekov (Anton Yelchin) e Capitão Kirk caem em uma área; Scott (Simon Pegg) em outra; Spock e McCoy (Karl Urban) mais distantes enquanto Uhura (Zoe Saldana) é levada com Sullu (John Cho) por Krall. Acompanhamos então quatro tramas narrativas da tripulação tentando se reunir. Scott é resgatado pela exótica alien Jaylah (Sofia Boutella), que anteriormente conseguiu escapar da prisão de Krall. Ela o leva para sua casa improvisada, a USS Franklin, antiga nave estelar da Frota Estelar que supostamente desapareceu um século antes, camuflada na superfície do planeta. Se eles a consertarem, poderão escapar dali.

Em meio a reunião e ao plano de combate de Krall em destruir uma estação espacial, a Yorktown que é comandada por Paris (a ótima Shohreh Aghdashloo, de XMEN 3 e Casa de areia e Nevoa, desperdiçada com duas linhas de roteiro), o artefato revela-se ser a metade perdida de uma antiga arma química criada pelos habitantes originais de Altamid que pode desintegrar um corpo humanoide. Krall planeja lançar um ataque contra a estação e matar sua população, em seguida partindo para destruir a Federação dos Planetas Unidos. Kirk e os outros libertam a tripulação e lutam para impedi-lo.

Diversos tipos de aliens exóticos povoam o filme,
num verdadeiro espetáculo de fantasia
O filme já engrena sequências de ação uma atrás da outra, já depois de quinze minutos de duração, quando o ataque a Enterprise acontece. Tecnicamente, tudo é bem realizado, com destaque para a direção de arte e a maquiagem excepcional que, segundo a produção, permitiu também a criação de 50 tipos de aliens diferentes em comemoração aos 50 anos da série. Algumas cenas com efeitos especiais escorregam na finalização mas nada que comprometa o conjunto técnico que é muito sólido, tudo que 185 milhões de dólares podem bancar. Mas há diversos poréns que saltam os olhos. 

Todos estão a vontade nos seus personagens só que, embora o vilão Idris Elba se esforce, coberto por maquiagem que muda periodicamente à medida que o filme avança, mostrando seus diversos estágios de transformação, seu personagem em si é genérico e sem profundidade, talvez este um problema geral a esta nova trilogia: a falta de um vilão excepcional e inesquecível. Quem rouba a cena, por mais incrível que possa parecer, é a personagem Jaylah, que é mais interessante que a própria trama central mas é inacreditavelmente deixada de lado a certa altura pelo roteiro; sempre que ela sai de cena, algo inevitavelmente se perde. Houve polêmica em relação a revelação da homossexualidade do personagem Sullu, como forma de homenagear o Sullu da telessérie original, o ator abertamente homossexual George Hosato Takei (que não curtiu a homenagem, por sinal) mas a cena é tão simples e tão rápida que, caso não fizessem barulho, quase ninguém daria importância. 

Jaylah, personagem que acaba roubando a cena
No ápice da trama, no combate entre Kirk e Krall, fica a sensação de que falta algo mais dramático e arrebatador: o filme todo carece de estofo dramático. Personagens surgem apagados - Uhura e Chekov, do falecido Anton Yelchin, são os que mais sofrem; ela com uma trama ordinária envolvendo seu relacionamento com Spock, ele se esforçando para ser útil. Ao vê-lo em cena, fica uma sensação de pena que um ator com tanto potencial e tão jovem, com uma carreira tão promissora, tenha sua vida terminada de uma maneira tão abrupta e absurda. 

Star Trek Sem Fronteiras é um filme melhor resolvido que o anterior, anabolizado por ação pelo diretor de aluguel Justin Lin, mas uma ação aliás sem arrombo e sem visão - as cenas são cheias de pirotecnia e visual, mas estranhamente não causam impacto emocional nem tensão. Talvez por isso o filme tenha ficado aquém nas bilheterias, arrecadando menos que os dois anteriores. O saldo parece esse: irregular, não ofende os fãs, passa bem, entretém, é bem feito, mas falta um ingrediente principal que fez a série se tornar tão popular e atingir tanto sucesso - o coração.

Cotação: 2,5/5

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