segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Horizonte Profundo: Desastre no Golfo - 2016




Por Jason


Em 20 de abril de 2010 a plataforma de petróleo Deepwater Horizon estava na fase final da perfuração de um poço no Canion do Mississippi, no Golfo do México, quando aconteceu uma explosão na torre, e esta incendiou-se. O acidente matou onze pessoas e sete trabalhadores foram evacuados para a estação aérea naval em Nova Orleans e levados para o hospital. Barcos de apoio lançaram água à torre numa infrutífera tentativa de extinguir as chamas mas a Deepwater Horizon afundou dois dias depois, derramando o equivalente a 210 milhões de galões de petróleo no Golfo do México, se transformando no pior desastre de petróleo dos EUA.

O filme Horizonte Profundo Desastre no Golfo tenta reconstruir a tragédia. Fracasso de público (custou 110 milhões, mas não faturou pouco mais que isso) o filme é mais um desastre na carreira do diretor Peter Berg (dos também fracassados Batalha dos Mares e O reino). Não é de se admirar que tenha dado errado. De cara, Horizonte escorrega ao apostar em uma série de recursos visuais e diálogos didáticos que chegam a chocar pela precariedade. Se o público precisa entender o trabalho do personagem Mike Williams de Mark Wahlberg, sua filha logo aparece para contar como é o seu trabalho, seguindo por uma sequência que terminará com uma lata de refrigerante estourando, o que parece prenunciar o que acontecerá mais tarde na gigantesca plataforma onde trabalha. Como se não bastasse, uma parada em um posto de gasolina - o objeto final da produção da plataforma - parece querer gritar ao público que a sua vida se resume basicamente a petróleo. 

Por falar em prenúncios, por acaso, esses clichês se amontoam rapidamente, como um pássaro que bate no helicóptero que os transporta, telefones, máquinas, antenas, bombas, detectores de fumaça e alarmes que não funcionam bem como procedimentos errados em nome da ganância. Nesse sentido, o personagem Vidrine de John Malkovich é sub aproveitado e talvez seja ele o maior desperdício do filme. Jimmy, gerente da plataforma (Kurt Russell, canastrão como sempre) exige o teste de estabilidade do poço para que continuem a exploração e isso exige tempo, mas Vidrine ignora os resultados e insiste na exploração. E sua atitude, claro, ajudará no desastre. Vidrine, sobrevivente, seria indiciado por homicídio culposo ao final da tragédia. Isso é tudo o que se vê do personagem. Não existem camadas, não existe profundidade. Vidrine é um personagem oco, completamente raso e atropelado na trama.

Essas falhas de roteiro permanecem durante toda a projeção enquanto o filme ainda reserva mais recursos baratos explicativos e clichês, como quando o personagem Jimmy explica, apontando para a gravata de um senhor, que a cor vermelha é o sinal para a pior situação possível na plataforma. Isso é o máximo que o filme pode fazer na tentativa de despertar alguma empatia pelos personagens mas não ajuda, como todos sabemos, o fato de Mark deixar a desejar como ator dramático, de Kate Hudson praticamente não ter nenhuma função dentro da trama ou da péssima Gina Rodriguez, que num determinado momento de terror por ter que salta na água para se salvar, não consegue passar o desespero que sua personagem pede. 

Se falta empatia dos personagens, pelo menos o filme tenta engrenar quando a plataforma começa a entrar em colapso, com explosões de lama por todos os lados que resultam em um fogaréu colossal do qual os homens, presos na instável plataforma, tentam escapar. Berg mostra domínio dos efeitos visuais e sonoros - cada corpo atingido é mostrado, cada parafuso que se solta, estampido, ruído, tudo é explorado - mas a câmera a lá Michael Bay picota muitas vezes as cenas de modo que algumas vezes sequer entendemos o que se passa na tela. Atos heroicos e de sacrifício se perdem, mortes aparecem sem peso no meio das explosões, bem como atitudes de trabalhadores em tentar amenizar o que não dá para conter ao invés de caírem fora o mais rápido possível. Faz falta também uma trilha sonora que preste. 

Ao final, o filme, esquecido dois minutos depois de acabar, vale para conhecimento sobre a tragédia e como passatempo descartável para o público de filmes de ação e explosão. Porque quando os personagens reais aparecem em uma homenagem - necessária aliás - Horizonte Profundo já deixou a sensação de que na tentativa de fazer um filme catástrofe digno de nota e de reproduzir fielmente os dramas e momentos reais da tragédia, tudo afundou no meio do caminho.

Cotação: 1,5/5

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