sábado, 18 de fevereiro de 2017

Estrelas além do tempo - 2016




Por Jason


Katherine Johnson (Taraji P. Henson) tinha um potencial quase sobrenatural de resolver equações matemáticas quando ainda era criança. Já adulta, na década de 60, ao lado de suas amigas Dorothy Vaughan (Otavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae), foram chamadas para trabalhar na NASA. Afro-americanas, essas três mulheres eram obrigadas a trabalhar em um prédio afastado dentro da NASA, servindo como computadores humanos enquanto os EUA e a União Soviética, em Guerra Fria, lidavam com a corrida espacial e a sociedade enfrentava as questões raciais e a segregação de brancos e negros. As três precisavam, além de enfrentar as barreiras sociais e raciais, as profissionais, já que a maioria dos profissionais era formado por homens brancos, as tecnológicas - a chegada dos computadores poderia anular a utilidade do trabalho delas - e as pessoais. 

Aos poucos, mostrando muito esforço e trabalho, as três cresceriam como peças fundamentais na corrida espacial: foi de Katherine o cálculo para a trajetória do voo da Apollo 11 para a lua; Dorothy (falecida em 2008) se tornaria chefe de um grupo de trabalho constituído de mulheres formadas em matemática e supervisora de tecnologia e Mary (falecida em 2005), que tinha habilidade natural para engenharia espacial, se tornaria a primeira mulher engenheira. O filme percorre o caminho até o lançamento e retorno do astronauta John Glenn, o primeiro norte americano a entrar em órbita da Terra.  

Baseado nessa história real e no livro de Margot Lee Shetterly, Hidden Figures, o filme, indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado também, escorrega ao tratar de maneira mais leve e sutil o preconceito que as mulheres e os negros sofriam durante a época. Do banheiro destinado aos negros que fica distante do posto de trabalho obrigando Katherine a andar faça chuva ou sol para ele e se ausentar quarenta minutos do trabalho às mulheres brancas de olhares atravessados, tudo soa superficial, sem a profundidade que o tema pede. Guardadas as proporções, com boa reconstituição de época, lembra também Histórias Cruzadas, que deu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Octavia Spencer. E aqui se cria mais um problema. Octavia, indicada ao Oscar pelo papel, parece presa numa reprise de personagem e seu desempenho soa inferior ao compará-la com suas parceiras de cena.

Janelle se esforça mais, Kevin Costner continua canastrão como sempre e Kirsten Durst tem pouco a fazer a não ser parecer antipática, papel que não lhe exige muito esforço. A produção ainda conta com Mahershala Ali como interesse amoroso de Katherine, desperdiçado numa subtrama pouco inspirada, e Jim Parsons, sempre cheio de tiques como em The Big Bang Theory, ambos correndo no modo automático. Taraji se sai melhor como Katherine: meio atrapalhada e desengonçada, sua personagem simpática garante a melhor cena do filme, quando tem seu acesso de revolta ao ser questionada por se ausentar tanto, por ser obrigada a usar um banheiro milhas de distância - o que já garante metade do êxito de sua performance. Ao final, fica a sensação de que Estrelas além do tempo serve para apresentar a história curiosa e necessária dessas mulheres, mas que, fora do tom, leve e superficial demais, deixa de atingir o impacto e a importância que essas mulheres tão excepcionais mereciam.

Cotação: 2,5/5

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