domingo, 19 de fevereiro de 2017

Moana - Um mar de aventuras - 2016




Por Jason


Moana é uma menina inteligente e corajosa, filha do chefe de uma tribo na Polinésia. Devido a um acontecimento envolvendo o semideus Maui (Dwayne Johnson), que roubou o coração da deusa Te Fiti, criadora de toda a vida, ele acabou amaldiçoando o mundo e a ilha onde Moana vive está morrendo. O pai de Moana está preparando a menina para que ela assuma a posição de chefe tentando mantê-la longe do oceano enquanto a menina cresce sonhando em desbravar os mares. Conforme reza a lenda, durante o roubo do coração, Maui acabou perdendo o anzol mágico que lhe dá poderes para se transformar em diversos animais numa luta com Te Ka, um monstro de lava, e foi exilado em uma ilha distante. 

Querendo descobrir mais sobre seu passado e ajudar a tribo, Moana descobre pertencer a uma longa linhagem de navegadores e resolve partir em busca de Maui para devolver o coração, uma pedra brilhante esverdeada, à deusa. Acompanhada por esse lendário semideus e seu galo de estimação aloprado, Moana começa sua jornada em mar aberto, onde enfrenta terríveis criaturas marinhas como um caranguejo gigante chamado Tamatoa para devolver o coração à deusa e restabelecer a vida na ilha.

A animação começou a ser desenvolvida em 2011, é cheia de cores e tem momentos de grande beleza em suas paisagens projetadas por poderosos computadores e suas imagens em CGI. A Polinésia, usada como referência ao desenho, é um conjunto deslumbrante de ilhas do Oceano Pacífico, com águas cristalinas e vegetação preservada. O filme acerta ao usar elementos curiosos da mitologia polinésia, como o próprio Maui, um semideus trapaceiro e um dos mais conhecidos da mitologia local. Além de Johnson como Maui, o filme traz a havaiana Nicole Scherzinger como a mãe da personagem em papel menor.  Sinais dos novos tempos da Disney, Moana, sua nova princesa, é do tipo independente e bem resolvida, que não espera por um homem para salvá-la - não há um par romântico para ela no filme - e isso é bom porque o foco da narrativa é destinado a sua aventura e a construção de sua relação com Maui. Aqui também começam os problemas. 

A relação dos dois começa com aquela fórmula batida clássica dos desenhos e muito clichê - com desentendimentos, aos trancos e barrancos -, até que os dois possam se entender e perceberem que precisam da ajuda um do outro. Se Moana é visualmente belo, é também uma animação que não surge como um arrombo de criatividade do roteiro como Zootopia, por exemplo; e em termos de design, exceto na concepção dos piratas em forma de cocos ou em uma arraia luminosa que garante mais um momento de espetáculo visual, as criaturas e monstros cheios de cores como o caranguejo gigante ou o monstro de lava  só acertam com suas formas e traços o lugar comum das animações. 

Apesar do esforço do design da produção, falta estofo dramático e uma maior sensação de perigo. Previsível, após o primeiro momento de perigo em que é Moana quem salva a dupla, dá para se prever o que acontecerá toda vez em que ela encontrar um obstáculo. Para complicar, falta algo nas canções que não empolgam - algumas fora de hora, que parecem forçadas e deslocadas, como a do reencontro de Moana com a sua avó: um instante que era para ser de grande beleza e drama é cortado por uma insossa canção entoada pela velha. A galinha como alívio cômico parece algo perdido e o porquinho da menina para nada serviu a não ser virar quinquilharia da Disney a ser vendido como boneco para crianças. 

O final, depois de tanto esforço dos personagens, acabar resolvido daquela forma simplista demais parece soar como o resultado de um remendo para algo que os roteiristas não sabiam o que fazer e foram empurrando de qualquer jeito. No mais, Moana Um mar de aventuras serve como passatempo para os adultos e crianças porque os personagens centrais são marcantes e o produto final - o filme - está bem longe disso.

Cotação: 2,5/5

Um comentário:

  1. Foi uma experiência muito gostosa ver esse filme no cinema. Visualmente lindo, temática bacana e heroína carismática e decidida.
    Não achei revolucionário o fato dela não ter um "mocinho" para interesse romântico: Frozen foi mais a fundo nisso, com sua primeira Princesa solteira (vivas para a Elsa) e o amor fraternal sendo o "salvador".
    Não considero melhor que Zootopia, mas entrete bastante.
    Eu daria uns 3,5, mas sempre aprecio suas críticas, Jason.
    Att

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