domingo, 19 de março de 2017

Rogue One - Uma história Star Wars - 2016



Por Jason


O cinema blockbuster é claramente dividido por Star Wars Uma Nova Esperança, de 1977. O filme de George Lucas trouxe uma sequência de inovações para a indústria e abriu na empreitada as portas para um universo monstruoso, saindo das telas grandes do cinema para conquistar outras mídias e vender uma infinidade de quinquilharias, perpetuando-se até hoje como umas das mais lucrativas franquias de todos os tempos. Após duas investidas com duas trilogias (a segunda nem tão bem sucedida) do seu criador, a franquia ganhou nova casa na Disney, que obviamente explorará essa pirâmide de quase 4 bilhões de dólares até a saturação.

Fruto dessa exploração desmedida e da intenção de lançar um filme por ano, uma nova trilogia está programada pelo estúdio, trazendo também uma enxurrada de derivados (o próximo episódio deve sair este ano e o filme focado no icônico personagem Han Solo, por exemplo, deve chegar em 2018). É tendo esse pensamento em vista, para explorar a franquia até a última gota, que nasceu Rogue One Uma História Star Wars, uma superprodução de 200 milhões de dólares que faturou mais de 1 bilhão nos cinemas ao redor do mundo e se tornou o segundo filme mais rentável da franquia em valores atuais, perdendo apenas para o recente Episódio 7 O despertar da força (com uma bilheteria superior a dois bilhões). Uma prova que a marca ainda tem muito apelo e muito gás para queimar.

Centrado em Jyn Erso (Felicity Jones), o filme traz um prólogo onde conta como a menina foi afastada de seu pai, Galen (Mads Mikkelsen), devido à exigência do diretor Krennic (Ben Mendelsohn) que ele trabalhasse na construção da arma mais poderosa do Império, a Estrela da Morte. Criada por Saw Gerrera (Forest Whitaker), ela teve que aprender a sobreviver por conta própria ao completar 16 anos. Já adulta, Jyn é resgatada da prisão pela Aliança Rebelde, que deseja ter acesso a uma mensagem enviada por seu pai a Gerrera. Com a promessa de liberdade ao término da missão, ela aceita trabalhar ao lado do capitão Cassian Andor (Diego Luna) e do robô K-2SO. A missão, claro, é suicida: o de roubar os planos da Estrela da Morte para a Aliança e assim impedir que o Império cause mais destruição e controle a galáxia.  

Qualquer tentativa em lidar com um fanático por Star Wars e apontar as falhas do filme parece desde já uma missão suicida. O melhor em Rogue One é que a parte técnica mantém a tradição da série, recheada de efeitos visuais, efeitos sonoros e maquiagem de primeira linha, figurinos que enchem os olhos com tantos detalhes, e um design de cenários que consegue uma mistura de familiaridade e ao mesmo tempo inovação - como a morada dantesca de Darth Vader cravada no meio de um oceano de lava. O conjunto também parece mais sólido do que o espalhafatoso Despertar da Força e o tom, mais sombrio, pende para o lado do quinto episódio, O império contra-ataca, com poucos alívios cômicos representados na figura de um androide (alívios que, aliás, nem sempre funcionam como deveriam). Há pelo menos dois pontos altos durante toda a trama, que é a destruição causada pela Estrela da Morte, sob o ponto de vista de quem está diretamente no planeta atingido por seu raio desintegrador; e o terceiro ato em um planeta paradisíaco, que resultará em mais uma destruição da Estrela e numa aparição épica de Darth Vader que merece elogios. Vader é o astro icônico da franquia e prova isso nos poucos minutos que entra em cena. Quando ele sai, sentimos que algo se perde com ele e os poréns fazem o filme quase desabar.

O filme demora a embalar e a despertar uma sensação de importância no espectador, apresentando personagens com idas e vindas em planetas diferentes enquanto a equipe é formada. A equipe, aliás, se destaca pelos atores de várias nacionalidades, mas você percebe que tem algo errado no filme quando o personagem coadjuvante cego que enxerga melhor que qualquer pessoa com visão normal parece mais interessante que o insosso casal principal. Felicity Jones soa crua demais no papel, dura que nem um androide e mais perdida que cega em tiroteio. Já Diego Luna não consegue fazer uma expressão diferente da cara de paisagem durante todo o filme. Mads é desperdiçado em um papel com um ápice melodramático barato: é incrível como os filmes recentes da franquia sofrem do descarte de personagens importantes de maneira rápida e abrupta, como foi o caso de Han Solo em O despertar da força. Forest, por sua vez, é mal trabalhado, em um personagem chato e superficial, garantindo pelo menos um momento constrangedor em termos de atuação - o do fim do personagem. Os soldados imperiais continuam péssimos de mira e lerdos como lesmas, personagens desaparecem, morrem, sofrem, e não há a devida importância por causa da correria do roteiro. 

O personagem Grand Moff Tarkine, feito pelo falecido ator Peter Cushing, recriado digitalmente por necessidade da trama sobre o rosto de outro ator, parece saído de um jogo de vídeo game, o que causa imediata estranheza; uma prova que a tecnologia de efeitos evoluiu absurdamente desde o primeiro filme de 1977, mas ela ainda não é nada sem o fator humano. A trilha sonora só consegue destaque quando recorre aos temas e tons consagrados por John Williams. Quando tenta inovar, como o tema central descartável e sem inspiração, a coisa afunda. De brinde, há um final brega para o casal principal e aquela terrível sensação de que esse povo dessa galáxia distante, capazes de criar armas e naves sofisticadíssimas, ainda não foi capaz de criar um sistema que não dependesse tanto de uma mídia física para armazenar dados. 

Rogue One escapa do tédio por ser eficiente nas cenas de ação e o mérito recai sobre as habilidades do seu diretor, Gareth Edwards. Já dá para imaginar que Edwards tenha dirigido o filme com uma arma apontada para a cabeça, em se tratando de uma franquia bilionária, com um orçamento estúpido e um produto o qual não pode - e não deve - errar. Apesar de não ter uma nota autoral e aparente visão limitada imposta pelo projeto, Edwards consegue transpor a bagunça generalizada do roteiro no começo do filme e levar o espectador para dentro do conflito no terceiro ato mantendo o ritmo do começo ao final. Há ali certas artimanhas usadas em seus filmes anteriores, Godzilla e Monstros, quando ele oferece uma sensação de tamanho e proporção dos destruidores blindados AT-AT, mas nada que vá além. Ao final, Rogue One satisfaz as expectativas de nós, os fãs, felizes até pela aparição da já lendária princesa Léia, em sua versão jovem recriada na pele digital copiada da falecida atriz Carrie Fisher. Para maiores emoções, a trilogia original ainda continua imbatível. 

Cotação: 2/5

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