quinta-feira, 20 de abril de 2017

A autópsia - 2016




Por Jason

Em A Autópsia, Tommy Tilden (Brian Cox) e Austin Tilden (Emile Hirsch), seu filho, são os responsáveis por comandar o necrotério de uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos. Os trabalhos que recebem costumam ser muito tranquilos por causa da natureza pacata da cidade, mas, certo dia, o xerife local (Michael McElhatton) traz um caso complicado: uma mulher desconhecida foi encontrada morta dentro de um porão - "Jane Doe", no jargão americano. 

As articulações da vítima foram quebradas, não há sinais de hematomas na pele, a língua foi arrancada, um dente foi retirado, há sinais de rasgos em sua vagina feitos propositalmente e os olhos estão acinzentados como se tivesse morta há dias - embora o cadáver ainda sangre em profusão. Os pulmões estão pretos, os órgãos com sinais de cicatrização; há um pedaço de pano dentro dela com algarismos romanos e o resto de uma flor com toxinas paralisantes dentro dela. Conforme pai e filho tentam descobrir a identidade da mulher morta, coisas estranhas começam a acontecer. O rádio muda de frequência sozinho, luzes piscam, o gato de estimação aparece ferido e precisa ser sacrificado, portas se abrem sozinhas, barulhos aparecem do nada e Austin passa a ver pessoas dentro do necrotério. Claro, vem uma tempestade e uma árvore caída os impede de sair e -, obviamente -, o celular está sem sinal. 

O roteiro do filme gira em torno praticamente disso, sem ir além, com os dois personagens dentro do necrotério sendo atormentados por eventos sobrenaturais enquanto tentam compreender o que está havendo e quem é responsável por isso. A parte boa é que o passo a passo da autópsia da desconhecida é retratado no filme com detalhes, com toda nojeira e sanguinolência possível para os amantes do gore. Bryan Cox e Emile Hirsh já surgem cortando, serrando, recortando e picotando um corpo queimado sobre a mesa de autópsia. A parte ruim é que o filme, como visto, está atolado de clichês. Ele começa apelando para um gênero e se joga nas situações idiotas de terror sobrenatural barato: para tentar surpreender o espectador, por exemplo, a namorada acessório de cenário de Austin surge no trabalho dele para desenrolar uma brincadeira sem sentido enquanto seu namorado abre as gavetas do necrotério. Está lá o clichê da música subindo histericamente para tentar assustar recurso que na maior parte do tempo é em vão.

O filme é dirigido por André Øvredal, mesmo diretor da comédia trash O Caçador de Troll e sem nada digno de nota no currículo. No elenco, Cox é um caso a parte, por ser um ator que vai do luxo ao lixo com a mesma competência. Mas o caso de Emile é de estudo. De uma promessa do cinema, Emile viu sua carreira definhar ladeira abaixo, seja pela inexpressividade com que atua ou pelos projetos fracassados em que foi parar. Melhor para a estranha Olwen Kelly, que interpreta a defunta com mais expressão do que o restante do elenco, e fica o tempo todo feito uma estátua, pelada em cima de uma mesa, apalpada em tudo que é buraco e com cara de paisagem mesmo enquanto é remexida pra lá e pra cá - não deve ter sido tarefa fácil para ela. De quebra, uma resolução ridícula para o mistério e para o final do filme reforça para o espectador o tom de lixo descartável. 

Cotação: 1/5

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