domingo, 9 de abril de 2017

A garota do trem - 2016




Por Jason


Duas vezes por dia, Rachel (Emily Blunt) acompanha pela janela do terceiro vagão de trem, a visão de sua casa preferida e a vida de um casal, Megan (Haley Bennet) e Scott (Luke Evans), que mora numa casa à beira dos trilhos e que demonstra ter uma vida que parece saída de uma propaganda de margarina. Megan trabalha na casa do casal Anna (Rebeca Ferguson) e Tom (Justin Theroux) como babá. 

Tom é ex de Rachel e a traiu com Anna. Rachel está deprimida e perdeu o emprego por ser alcoólatra. Seus problemas começaram a partir do momento que ela descobriu a traição do marido, sentindo-se falha como mulher ao não conseguir engravidar e o consequente fim do relacionamento. Por sua vez, Megan encontrou outro emprego e está saindo do trabalho quando Rachel a vê envolvida com outro homem, o seu terapeuta psiquiatra Dr Kamal (Edgar Ramirez). Mais tarde, Megan desaparece e a suspeita pelo sumiço dela é justamente Rachel, que teve um bloqueio mental devido a estar alcoolizada, chegou em casa com manchas de sangue, foi agredida e não se recorda nem onde estava nem com quem. Rachel toma uma atitude e vai contar ao marido de Megan, Scott, que a viu com o psiquiatra e que acaba como suspeito do seu desaparecimento. Não satisfeita, sentindo ter finalmente um propósito na vida medíocre que está levando, ela procura o psiquiatra tentando arrancar mais informações, o que só piora a situação. Uma reviravolta no meio da trama vai mudar o papel de Rachel no mistério do desaparecimento de Megan, ao encontrar a antiga chefe de seu ex-marido, Martha (Lisa Kudrow) no mesmo trem.

Baseado no romance de Paula Hawkins, A garota no trem gira em torno do tema da violência contra a mulher em todas as escalas, ressaltada no fato de que as três protagonistas sofrem ou sofreram abusos e insultos de seus maridos e o final desperta um sentimento de vingança saciado contra a nossa absurda sociedade machista. Se Rachel é tratada por esse mundo machista como uma louca fracassada incapaz de ser mãe, e por isso, não ser "normal" nem a mulher perfeita, Anna, antiga amante, é relegada por seu marido a escrava do lar que deve ficar em casa cuidando da filha enquanto seu marido passa o rodo no trabalho. Já Megan é colocada pelos homens como a prostituta que roda de mão em mão esvaziada de sentimentos por ser abandonada por quem ela uma dia amou e por isso, aos olhos do mundo machista, pouco importa se ela estiver viva ou não. Assim, o tema poderia render um filmaço, mas a cara de produção barata nos moldes de um Super Cine é ainda mais prejudicada pela direção frágil que não sabe se aposta no suspense ou no drama, transformando tudo numa telenovela mexicana indecisa, com um segundo ato arrastado e algumas obviedades. O vai e vem do roteiro é outro problema, fruto de decisões equivocadas do roteiro e que muitas vezes não funcionam como deveriam - faltou um diretor mais habilidoso, como o David Fincher de Garota Exemplar para melhorar o conjunto. 

Emily Blunt se esforça, no papel da mulher alcoólatra depressiva que não suportou o fato de ter sido traída e não conseguiu ser mãe, carregando o filme todos nas costas e lutando contra uma direção frouxa incompetente que transforma seu desempenho em algo irregular. Para cada cena em que Blunt dá seu show particular, como no seu primeiro dia nos Alcoólicos Anônimos, há cinco em que a direção não sabe onde posicionar a câmera nem o que fazer com a atriz para extrair seu melhor. Rebecca Ferguson é qualquer coisa, brotou do nada e ainda não disse a que veio ao passo que Haley aparece inexpressiva. Seu acesso de drama ao contar ao psicólogo como perdeu sua filha é constrangedoramente ruim. A ex-Friend Lisa Kudrow não tem quase nada a fazer, embora seja dela um ponto chave para o entendimento da trama que entrega os pontos do mistério na hora errada. O time masculino aliás, é pior, com o personagem do fraco Ramirez entrando apenas para tentar confundir o jogo e sumindo sem deixar saudades; personagens, aliás, somem sem muito a fazer, como a amiga de Rachel com quem dividia um apartamento, em arcos que não se fecham. Luke Evans é ruim e Justin é uma aberração.

O final é entregue meia hora antes, não deixando nada para o espectador concluir sobre o mistério, o que é uma pena visto que o material tinha bastante potencial e poderia se tornar um filme menos raso e superficial. No mais, serve como passatempo do tipo que se esquece dois minutos depois de acabar.

Cota: 2/5

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