segunda-feira, 10 de abril de 2017

A morte nos sonhos - 1984




Por Jason


A morte nos sonhos, de 1984, traz um elenco de primeira em uma trama que mistura suspense e ficção. Na trama, Alex Gardner (um jovem Dennis Quaid) é um paranormal e é convencido pelo Dr Paul Novotny (Max Von Sydow) a participar de um projeto do governo com uma doutora (Kate Capshaw) que visa ajudar a curar pesadelos e problemas psicológicos que afligem doentes mentais. 

Nesse contexto, Alex, que é desleixado, descrente e irônico, encontra um manipulador de sonhos chamado Tommy (David Patrick Kelly). Alex é avisado que não deve interferir nos sonhos, mas sim permanecer distante dos acontecimentos como um observador, pois isso pode lhe trazer consequências. No meio do caminho, entra Bob (Christopher Plummer) que faz a supervisão para o governo. O presidente dos EUA está tendo pesadelos sobre uma guerra nuclear e Bob informa que pode ajudá-lo, mas o que está por trás de uma boa ação pode ser na verdade uma conspiração com outros interesses para matar o presidente dos EUA, já que fica provado que é possível entrar no sonho e matar a pessoa enquanto ela dorme, sem deixar provas físicas.

O filme tem um tema atual no pano de fundo: o presidente dos EUA fala de pacto com a Russia para evitar uma Guerra Nuclear. Em tempos de ataque a Síria e Donald Trump no poder, com o presidente da Russia ameaçando revidar o ataque, os sonhos do presidente do filme soam premonitórios. E, vejam bem, se trata de um filme da década de 80. A fotografia é um detalhe interessante: os sonhos do presidente possuem tons amarelados como uma explosão. Os sonhos sexuais de um paciente com problema de impotência sexual apresentam um tom avermelhado e outros misturam as cores a depender da temática. Há uma sequência que deve ser inesquecível para quem viu o filme quando mais jovem, no qual um menino é aterrorizado por pesadelos em que é atacado por um homem cobra.  

Max Von Sydow e Christopher Plummer sobram na tela. De Dennis Quaid, canastrão, não se pode esperar nada. O ator parece fora do tom, tentando trazer ironia e humor como se estivesse destoando do conjunto. Kate Capshaw adiciona charme e beleza - hoje, a esposa de Spielberg parece ter destruído o rosto bonito com plásticas mal sucedidas e se afastado definitivamente das telonas. O filme tem a cara datada dos anos 80. A trilha é terrível, com sintetizadores e os efeitos, claro, envelheceram terrivelmente, misturando muito fundo azul, truques de câmera, stop motion e até roupa de borracha. O design de alguns cenários é interessante, como a sequência do trem que percorre o pesadelo pós apocalíptico do presidente americano, mas sua execução é a cara da pobreza. Falta, além de ritmo melhor no segundo ato, a construção passo a passo de um mistério que deixe o espectador deduzir a trama no ápice - o filme entrega rapidamente tudo meia hora antes do final. 

Mas se arranharmos o roteiro, podemos perceber que A morte nos sonhos deve ter inspirado de alguma forma filmes como A origem e Alucinações do passado. Há nele também ecos do estiloso A cela, principalmente na forma de conexão dos sonhos, dentro de uma sala fechada monitorada por computadores que projetam a mente dentro dos sonhos dos pacientes. O vórtice formado durante a conexão é uma versão anterior barata a conexão feita entre os humanos e os avatares em Avatar, de James Cameron. Isso faz com que uma refilmagem pudesse ser algo interessante se fosse bem trabalhada nas mãos de diretores e roteiristas habilidosos. Para quem quiser, o filme está completo disponível no youtube.



Cotação: 2/5

Um comentário:

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