domingo, 23 de abril de 2017

Fragmentado - 2016



Por Jason

Casey (Anya Taylor-Joy, de A Bruxa), Claire (Haley Lu Richardson) e Marcia (Jessica Sula) são sequestradas na saída de um encontro e levadas para um cativeiro. Duas querem lutar para sair, mas Casey é a única capaz de perceber que para sair dali terá que usar outra estratégia. Isso porque Kevin (James McAvoy) possui 23 personalidades distintas e consegue alterná-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Uma vigésima quarta está prestes a aflorar.


A primeira e mais marcante é a de um homem neurótico por limpeza. Outra é a de uma mulher, Patricia, que é mais cuidadosa com as meninas. Há Hedwig, personalidade de um garoto de nove anos, Dennis que tem o hábito de assistir garotas nuas dançando e tentar afastar as outras personalidades, Barry um desenhista de moda, dentre muitas outras. Kevin anuncia que uma besta está vindo para pegar as meninas embora ninguém saiba se a besta é real ou não. Paralelo a isso, a doutora Karen (Betty Buckley), que trata seus pacientes como se eles fossem capazes de coisas que pessoas normais não são - uma dessas pessoas é justamente Kevin, que se apresenta como a personalidade Barry - acredita que a besta seja uma personalidade criada por ele para suprimir as outras. O que ela não sabe é que a besta pode ser a mais perigosa de todas, a vigésima quarta.

O filme aposta mais no suspense do que no horror. McAvoy é maravilhoso e consegue alternar em todas as personalidades distintamente, cada uma com suas próprias características sem cair no ridículo, embora ele não exponha continuamente todas as personalidades durante o filme. O suspense surge de sua imprevisibilidade, já que nunca se sabe qual a personalidade que aparecerá no momento seguinte e ele carrega metade do filme nas costas. Correndo por fora, Anya Taylor-Joy, que já tinha mostrado capacidade em A Bruxa, é um achado e tanto. Dona de um olhar estranho e uma aparência um tanto incomum, Anya não se intimida diante de McVoy e consegue transmitir o que pensa, muitas vezes, apenas com o olhar, rivalizando com o ator.

Fragmentado é o filme que tirou o diretor Shyamalan do fundo do poço em sua carreira. Ao custo mínimo de 9 milhões o filme arrecadou quase 300 no mundo todo, se tornando um sucesso e o terceiro filme mais visto do diretor nos EUA. Mas se arranharmos um pouco perceberemos que a produção só comprova a tese que o diretor é bom em construir o clima durante a projeção mas, como muitos de seus filmes, traz uma revelação do mistério que beira o ridículo e um final que é simplesmente desastroso. Foi-se o tempo de reviravoltas interessantes como as O sexto sentido ou A vila. Menos importante, o filme vai mostrando o passado de Casey, uma menina distante da vida social e solitária, vítima de abusos do tio, recurso que soa como uma muleta do roteiro para mostrar que ela é a única capaz de compreender o algoz e ser compreendida por isso, que é o que acontece ao final. De brinde, tem Bruce Willis, em uma ligação com outro filme do diretor. 

Deve-se descontar outros fatores para se aproveitar melhor o filme. Não dá muito para engolir as duas colegas de Casey, que pecam pela burrice extrema - para complicar ainda mais as atrizes são ruins, despertando o desejo no espectador que sejam logo despachadas para o além. O roteiro não se preocupa sequer em dar camadas de personalidades às duas. Há os diálogos expositivos ao extremo, para tentar dar razão ao filme, na pele de Karen, que acabam servindo como guia para o espectador sob a visão da psiquiatria - mas que não conseguem explicar porque uma pessoa com 23 personalidades, que pode ser um perigo não só aos outros como a si mesma, em um estado avançado de Transtorno Dissociativo de Identidade, não está internada em uma clínica ou medicada e sim andando solta por aí. Esse é, talvez, o maior mistério sem solução do filme. 

Cotação: 3/5

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