domingo, 23 de abril de 2017

Jackie - 2016



Por Jason


Carregado de indicações a prêmios mundo afora (incluindo três ao Oscar - Atriz, Figurino e Trilha Sonora) e mais de trinta prêmios, Jackie traz a volta triunfante de Natalie Portman como Jaqueline Kennedy, a viúva do então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, assassinado em 1963. No filme, Jaqueline Kennedy precisa contar sua versão sobre o que aconteceu ao seu marido, assassinado com um tiro na cabeça em plena luz do dia naquele que seria um dos mais marcantes e chocantes momentos da história norte-americana. A trama foca assim na entrevista dela ao jornalista Theodore H. White (Billy Crudup) em Hyannis Port, Massachusetts, para a Life Magazine recriando os fatos anteriores e posteriores a sua morte.

O filme tem os seus problemas de idas e vindas do roteiro, por vezes soa como algum telefilme perdido sobre a ex primeira dama, mas a reconstituição de época é boa e cumpre sua função de colocar o espectador novamente naquele momento histórico. Os figurinos, então, reconstituem com fidelidade absurda o clássico e fashion estilo da ex primeira dama: desde o vestido de sua turnê pela Casa Branca no especial da CBS em 1962 até o terno cor de rosa Chanel usado por Jackie no momento da morte do presidente - recriação, aliás, que contou com a ajuda da própria Chanel para atingir o tom certo da roupa e até da forma correta dos botões. Tudo isso num prazo curto de tempo que fez a figurinista francesa Madeline Fontaine correr para aprontar tudo pouco antes que as filmagens começassem. 

Do elenco, sobra pouco para o falecido John Hurt fazer. Pior ainda para Peter Sarsgaard como Bobby Kennedy, irmão do presidente. A Crudup resta fazer cara de paisagem e expressar desconforto enquanto entrevista a personagem. A trilha sonora é do inexperiente Mica Levi (é a segunda trilha para um filme dele, a primeira foi pelo chato Sob a pele, com a Scarlett Johanson) e oscila, dissonante, tentando transportar o espectador para a aflição da personagem após o assassinato do presidente (e por vezes, ela irrita). Mas é Natalie quem segura as pontas, mimetizando completamente a personagem enquanto dá sua própria nota a ela. A forma como Portman descreve o momento de terror que passou, uma mistura de beleza e desespero - ela fala de detalhes da face do presidente enquanto segurava os restos de sua cabeça explodida por um tiro, tentando inutilmente juntá-lo -, aos quinze minutos de filme, resume bem o ótimo trabalho da atriz e já justificaria sua indicação ao Oscar. Há outros tantos momentos, no entanto, em que o trabalho de Natalie se sobressai e que a direção por vezes, infelizmente, se mostra incapaz de acompanhar seu talento. 

Num corte, ela está aflita chorando enquanto ainda limpa os restos mortais do marido de sua face, tendo que rapidamente pensar em um funeral e em estado de choque a ser levada para a autópsia com a roupa ainda suja de sangue de cima à baixo - na mesma medida que precisa se desdobrar em amortizar a notícia da morte do pai de seus filhos, preocupada com seus problemas pessoais, necessitando tomar decisões rápidas e lidar com a imprensa e com o mundo desmoronando a seu redor. O filme, que carece absurdamente de ritmo e intensidade ao redor da personagem, é qualquer biografia, dessas que volta e meia aparecem em Hollywood. Mas a performance de Natalie revela o que sobrou de Jacqueline sem John e é a alma do filme: se o filme procura capturar um momento importante no tempo e na história dos EUA, é ela quem consegue traduzi-lo em tristeza e beleza.

Cotação: 2/5

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