sábado, 22 de abril de 2017

Mercenários da galáxia - 1980





Por Jason

Esse é um caso curioso de filme B. Produzido por Roger Corman e com um jovem James Cameron na direção de arte e de efeitos especiais, o filme é uma mistura de Guerra nas Estrelas com Jornada nas Estrelas que se tornou um cult não só pela equipe envolvida como o resultado que foi acima da baixa média dos filmes trash. O filme abre com uma nave chegando ao planeta Akir. O ditador Sador (John Saxon) anuncia que o planeta se transformará em uma colônia dentro de sete auroras. Depois de uma demonstração de poder matando alguns dos habitantes, ele parte para outra. O conselho de Akir decide o que fazer e entende que não tem defesas. Um ancião explica que precisa de pessoas violentas para que possam protegê-los e um rapaz, Shad (Richard Thomas) se voluntaria a procurá-los, já que ele é a única pessoa que pode pilotar uma velha nave com um computador feminino chamado Nell. Sua primeira missão é encontrar um armeiro, o Dr. Hephaestus.

O rapaz vai parar em uma estação espacial povoada por androides, onde encontra o armeiro que agora é uma mistura de homem com uma máquina que o mantém vivo. Ele informa que o mais certo a fazer é que os homens saiam do planeta Akir para povoar a estação espacial e deseja que o rapaz se envolva com sua filha Nanelia (Darlanne Fluegel) para procriar. De saída, Shad é seguido por ela e encontra Gelt (Robert Vaughn): nascido em pleno espaço sideral, é um assassino frio e calculista, e aceita a missão por precisar de um lugar para se esconder; o Cowboy do Espaço (George Peppard): oriundo do planeta Terra; Saint-Exmin (Sybil Danning): uma valquíria, raça de mulheres guerreiras; os Nestor: vestidos e cobertos de brancos, com um terceiro olho, os humanoides se comunicam mentalmente e são conectados sensitivamente; e Cayman de Lambda Zone (Morgan Woodward): membro de uma raça de répteis, é um mercador de escravos que captura Nanelia, mas a liberta logo em seguida ao saber dos outros mercenários contratados para combater Sador, o ser que destruiu seu povo muitos anos atrás e do qual é o último representante. Sedento de vingança, Cayman também se junta ao grupo. Todos tentam inutilmente derrotar Sador, sem sucesso. Quem salva o dia, e o planeta Akir, é justamente Nell, o computador da nave.

Com truques de luzes, criatividade e muita maquete, James Cameron e a equipe conseguiram fazer cenários um tanto críveis para o orçamento minúsculo de dois milhões de dólares. O estilo de Cameron aliás, seria uma das marcas registradas do filme, e mais tarde ele amplificaria - agora com orçamento de superprodução - em Aliens O resgate. É possível notar como Cameron adotaria a fotografia deste filme (feita por um obscuro Daniel Lacambre) de tons azulados quanto o uso de maquetes detalhadas em seus filmes posteriores (principalmente O segredo do Abismo, onde o uso é maior). A cena em que um androide desmontado é reparado é a semente da sequência do corte de Bishop em Aliens O resgate e da habilidade demonstrada por Cameron em O exterminador do futuro. Está tudo lá. A inspiração para o filme aqui vinha de coisas presentes no mundo real: o cenário de Akir lembra uma floresta de pedras, cristais e cogumelos, e os habitantes se vestem como se estivessem num retiro espiritual:


O desenho da nave de Shad parece ter sido inspirado nos ovários e seios femininos, o que faz com que ela provavelmente seja a única nave da ficção com peitos em todos os tempos.

A nave do personagem Shad e suas formas femininas. 
A base abaixo dela lembra um par de seios

A nave do vilão tem uma dianteira que lembra uma alavanca ou um martelo, feito para esmagar os inimigos:


Enquanto as naves do povo reptiliano lembram uma cabeça de cobra com olhos protuberantes, com duas presas que servem como canhões...


...A nave dos Nestor lembra um disco voador iluminado e a do Cowboy um tipo de vagão ou caminhão, masculinizado em seu formato cilíndrico com uma cabine que parece uma cabeça peniana.



É interessante perceber que apesar da pobreza do material, o filme Mercenários na Galáxia também procura transmitir uma mensagem de união de povos. Os mercenários são um grupo heterogêneo de raças alienígenas, cada um com características físicas únicas (assim como Chewbacca, Han Solo, Greedo ou C-3PO em Star Wars) e que precisam se unir para derrotar o mal. Nota-se também que os moradores de Akir são extremamente pacíficos mas precisam se armar para derrotar o inimigo e reconquistar a paz, um alerta de que para se chegar a harmonia é preciso muitas vezes causar desordem e sacrifícios. As mulheres são retratadas como símbolos de sexualidade, inteligência e força, capitalizada na imagem sensual e no decote generoso da valquíria (ao lado), no computador Nell que acaba derrotando o inimigo e na cientista desajeitada e ingênua mas inteligente Nanelia. Ao entrar em contato com o doutor na estação, Shad percebe que o futuro da humanidade é mecanizado, onde as relações humanas se deterioraram e onde os tocar e o amar, o se relacionar e consequentemente o prazer humano se perderam. Sua sociedade vive sob um estilo de vida dogmático, limpo demais e insosso, por consequência, acima do limite. Mas, recordemos, estamos em um filme trash.

O elenco, claro, é todo ruim. A direção é péssima e os efeitos além das maquetes, com suas armas e seus disparos de lasers falsos, é o que a produção conseguiu pagar. os diálogos são constrangedores e o figurino de escola de samba da guerreira fala por si só. Os personagens desaparecem em batalhas medíocres. Sem o tom épico espacial que falta ao roteiro, o filme afunda. Falta ritmo e a maquiagem, claro, foi trabalhada do jeito que deu para fazer, também sofrendo suas limitações orçamentárias. O ator Richard Thomas, péssimo, parecia uma mistura de Nicolas Hoult com Malcolm McDowell sem talento e carisma, e terminou na televisão. Já o canastrão John Saxon virou um conhecido ator de filmes B. Por fim, a resolução do conflito poucos antes dos letreiros subirem é ridícula e desastrosa. A trilha sonora ficou a cargo de James Horner, que gostou tanto da produção musical que usou acordes na trilha sonora de Star Trek A ira de Kahn. É possível notar o uso de trechos da trilha na chegada do rapaz a estação espacial - nada mais Star Trek. O resultado não podia ser outro. Mercenários da Galáxia é trash mas virou cult. Em tempos de Star Wars e Guardiões da Galáxia, um remake nas mãos de uma equipe de visão talvez caísse bem.





Cotação: 1/5

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