quarta-feira, 26 de abril de 2017

O buraco negro - 1979







Por Jason



A nave Cygnus
Em O buraco negro, a nave espacial Palomino tem a missão de descobrir novos mundos e sua tripulação é composta pelos oficiais Capitão Dan Holland e Tenente Charlie Pizer, pelo jornalista Harry Booth, pelos cientistas Dr. Alex Durant e Dra. Kate McCrae - que também é telepata (suportem isso) - e pelo robô V.I.N.CENT. Durante sua jornada, descobrem a nave Cygnus, que tinha a mesma missão da Palomino e foi dada como desaparecida 20 anos antes. A Cygnus é comandada pelo Dr. Hans Reinhardt (auxiliado pelo sinistro robô Maximilian), um homem que oscila entre a genialidade e a loucura, e que tem como ambição maior fazer uma ousada viagem através de um buraco negro.

Hans autoriza que eles consertem a nave, prejudicada pela aproximação com o buraco negro enquanto a tripulação que acabou de chegar percebe que há situações adversas acontecendo dentro da Cygnus, como o fato de presenciarem um estranho cerimonial de funeral. Vincent é avisado por outro robô de mesma aparência, Bob, que os amigos correm perigo naquela nave pois a tripulação original da Cygnus é mantida viva através de um processo de robotização. Aí começa uma correria para tentar voltar à nave escapar dali com vida. É quando uma chuva de meteoros atinge a Cygnus e tudo é arrastado para o buraco negro. Os sobreviventes vivenciam experiências além da vida onde vilão se funde com o robô Max e parece visitar o inferno numa nuvem de vapor e fogo ao passo que os mocinhos veem o céu. 

Vincent e Bob
O buraco negro custou uma fortuna para a época, cerca de 20 milhões de dólares, e arrecadou por volta de 35 milhões, o que não fez dele um fracasso retumbante mas passou longe de ser um sucesso espetacular. A Disney tinha investido muito em brinquedos que encalharam nas prateleiras. O elenco era formado por Maximilian Schell, Anthony Perkins, Robert Forster, e Roddy McDowall como a voz de Vincent, todos muito capazes, mas nenhum digno de nota em cena - todos estão horríveis. A direção é incapaz de criar suspense e dar um clima épico de aventura a trama. Gary Nelson, o diretor, só dirigiria outro filme que chamasse atenção do público sete anos mais tarde, com Allan Quatermain and the Lost City of Gold e em seguida voltou para a TV, de onde nunca deveria ter saído.

Com o sucesso de Guerra nas Estrelas, a Disney não poderia ficar de fora da oportunidade que se abrira diante do mercado já que as cópias do filme de George Lucas começaram a se proliferar rapidamente como uma praga. Sim, O buraco negro nasceu no rastro das cópias de Star Wars, embora tenha algo de Jornada nas Estrelas, de Perdidos no Espaço e de 2001 Uma odisseia no espaço também. A estética está toda lá, no interior espalhafatoso da nave, nos robôs que servem ao doutor enlouquecido que parecem saído de uma nave imperial comandada por Darth Vader. O mais gritante é o personagem robô Vincent, uma cópia horrorosa de R2D2 que parece um canivete suíço com dois olhos e um formato bizarro - afinal a produção é da Disney. A pretensão era agradar a todo tipo de público (mesmo com classificação indicativa imprópria para os pequenos), o que se mostrou um dos seus principais problemas. Há também as armas a laser e a trilha sonora gritante nas cenas de ação, como que chupadas de Star Wars, mas com a diferença que aqui elas não empolgam. Sinais da odisseia espacial de Kubrick aparecem no final e na estética da suíte de Hans que lembra um hotel onde o astronauta David Bowman foi parar após entrar em um monólito. 

Cabos presos nos ombros fazem o robô Max flutuar.
Outro grande problema, no entanto, é que O buraco negro nasceu no mesmo período que outra superprodução cinematográfica de sucesso, Alien O oitavo passageiro, o que já fez o projeto ter nascido morto. Comparados os dois filmes, Alien parece uma década adiante do filme da Disney. Falta ao filme da Disney uma direção de arte e cenários melhor. Todos os cenários internos soam falsos e há um contraste absurdo no que diz respeito a nave Cygnus, que tem aspecto industrial e é detalhada por fora, mas por dentro saltam os olhos o descuido da produção com paredes que ligam o nada a lugar nenhum e peças de tecido e papel pintado que balançam quando deveriam estarem presos. Em algumas cenas é possível ver linhas segurando o robô Max para fazê-lo voar. Há coisas piores, que começaram com a divulgação do trailer onde entregava que o personagem de Perkins morria - aliás, de uma maneira idiota - e terminaram como erros de edição grosseiros. Quando a nave começa a se aproximar do buraco negro sentindo as forças gravitacionais, dois personagens estão ao redor de uma mesa. A cena acontece por volta de sete minutos. Enquanto para um personagem a nave está balançando, no corte para o personagem do outro lado da mesa no mesmo momento, não há tremor. 

Uma sequência de disputa entre robôs ocorre constrangedoramente no meio do filme e que em nada acrescenta a trama. Não bastasse a presença do robô Vincent, o espectador ainda tem que aturar o Bob, uma versão do Vincent que foi esculhambada pelos outros robôs. O filme só começa a ter alguma ação lá para uma hora, quando a tripulação precisa salvar a Dra Kate de seu processo de robotização, capitaneado por uma trilha sonora horrenda que em nada combina com a sequência. Mesmo assim foi indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Especiais e Melhor Fotografia. O projeto de um remake foi engavetado por ser considerado muito sombrio para o momento de filmes coloridos que a Disney vem tendo com as produções da Marvel e seria roteirizado por Jon Spaiths, do horrível Doutor Estranho. Ainda bem. O maior problema do projeto é ter nascido no estúdio errado.

Cotação: 0/5

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