quinta-feira, 27 de abril de 2017

O lado sombrio da lua - 1990






Por Jason

Esse é mais um filme conhecido da TV aberta, reproduzido na sessão Cine Trash que marcou a infância e adolescência de muita gente. No ano de 2022, a nave de manutenção Spacecore está em uma missão para consertar um satélite nuclear. A nave tem o auxílio de uma androide e após uma pane, acaba levada para o lado mais escuro da lua. Lá, um antigo ônibus espacial é encontrado depois de desaparecido há décadas e a tripulação decide entrar para investigar. Há uma interferência no momento em que eles embarcam na nave e, mesmo desabitada e a deriva durante muito tempo, a temperatura e o ar estão normais. 

Dentro dele, encontram o corpo de um de seus astronautas com um estranho triângulo talhado em sua barriga com suas vísceras expostas. Até aí, tudo certo: o filme corre como tantos outros trash que copiam outros filmes melhores. Porém, ao ser levado para autópsia, o corpo retorna a vida e proclama ser o próprio diabo. Satanás, de alguma forma, é o responsável pelo triângulo das bermudas e o desaparecimento de embarcações e aeronaves e, além de atormentar todo mundo, consegue incorporar nos outros usando lentes de contato dignas das maiores drags do Ru Paul's Drag Race e sua voz modificada por computador que parece dublada pelo Cid Moreira. A partir daí, todo mundo é suspeito de estar incorporando o pentelho satânico, o que nos remete diretamente a outro filme de ficção bastante conhecido, O enigma de outro mundo, só que o clima de desconfiança é tão tosco que o que era para ser um suspense acaba virando uma comédia involuntária.

O filme parece ser o pai do trash O enigma do horizonte, e o filho bastardo de Força Sinistra (nave encontrada com humanos dentro dela) com herança genética de Alien (na estética, na androide que sabe mais do que os outros) e de O buraco negro (nave a deriva no espaço). Por se tratar de um filme de baixo orçamento, obviamente os cenários prezam pela pobreza e a fotografia é escura para esconder a precariedade. O pior, porém, é o roteiro, porque, como sabemos, ser um filme pobre não necessariamente o obriga a ter um roteiro imundo como o que temos aqui. 

Encontrar satanás no espaço dentro de uma nave espacial, incorporado no corpo de um astronauta não é, acredite, uma ideia ruim. Poderia ser a base de um conflito de fé, de crenças e religião e até ceticismo. Mas os diálogos são absurdos: o computador da nave informa que ela entrou em modo automático, para que o personagem logo em seguida conclua "estamos no automático". O filme não explica, por exemplo, porque uma nave de manutenção carrega uma androide sensual que passa o tempo todo sentada em uma cadeira de escritório e, como ela, inteligente que só, manda um xô satanás do nada ao ser visitada por ele, já que não era uma vítima em potencial para incorporação. Sedutora, a coadjuvante possuída pelo capiroto tira a roupa e mostra os seios para seduzir um dos tripulantes, de maneira que não dá para saber o que é mais aterrorizante - o próprio cão ou os peitos caídos da atriz. 

Um dos personagens descobre que a nave teria mergulhado no Atlântico, na região do Triângulo das Bermudas, e voltado ao espaço pela força satânica. Em determinado momento, ao visitar o porão da nave, é encontrado algas marinhas e água salgada no setor e o suspense vem, acredite, de um tubo de gás que surge do nada como um verme gigante. Ou seja, diante de tanta aberração cinematográfica, a questão da presença do chifrudo vira o menor dos problemas e faz o espectador torcer para ele dar fim em todo mundo. Para completar a bagaceira, só faltou Linda Blair e o padre Merrin. Assista por sua conta e risco, direto do túnel do tempo.



Cotação: 0/5

Um comentário:

  1. Acho q lembro dele no cinema em casa. Legal vcs trazerem novamente esse filmes mais antigos. Parabens

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