sábado, 29 de abril de 2017

The void - 2016




Por Jason

O baixo orçamento de produções cinematográficas não pode e nem deve ser desculpa para filmes ruins porque a história do cinema já provou que é um erro associar uma coisa a outra diversas vezes, seja com diretores como John Carpenter ou George Romero, ou em filmes como Encurralado, um excelente exercício de suspense de custo mínimo, feito com uma câmera na mão e uma ideia na cabeça para marcar a estreia de Spielberg, e O exterminador do futuro, uma ficção de 150 mil dólares que se transformou em uma franquia de sucesso. Há filmes que são ruins, mas que possuem nas entrelinhas boas ideias, há aqueles que tem ideias clichês, ruins ou batidas, mas que são tão bem executadas que maquiam as inúmeras deficiências. Este é um caso em que nada - absolutamente nada - dá certo. 

O filme abre com uma sequência de assassinato em que uma mulher é queimada viva. Mais tarde, em meio a uma patrulha de rotina, o personagem Daniel Carter encontra em uma estrada isolada um jovem mancando e ensopado de sangue. Ele leva o jovem para um hospital rural próximo, onde é sedado antes que possam descobrir o que houve.  Uma das enfermeiras está surtada, mata um paciente e tenta atacá-lo, que reage matando-a. Daniel é atacado do lado de fora do hospital pelo que parece ser uma seita. Pessoas cobertas com um manto branco marcado com um triângulo estão se aproximando para invadir o hospital, mas que por algum motivo não conseguem entrar. No local, os pacientes estão sendo transformados em estranhas criaturas bizarras. Uma das personagens, Allison, desaparece dentro do hospital, nos subterrâneos, onde os homens passam a investigar e descobrem um matadouro embaixo do hospital que está cheio de zumbis. No meio dessa loucura toda, Daniel começa a ter alucinações com imagens desconexas. Allison é levada para engravidar sabe-se lá de que ou de quem, em uma cena que parece copiada do parto alien de Prometheus. E aí vem o final apenas para certificar de que estamos em um filme de quinta categoria.

O filme, de origem canadense, lembra um mix de outros filmes como O nevoeiro (pessoas isoladas sem poder sair, cercadas por monstros), algumas partes saídas de jogos de vídeo game no estilo Silent Hill e Resident Evil, produções de John Carpenter (Príncipe das sombras...?) e de Romero (A noite dos mortos vivos, filme que é reproduzido em um trecho inicial do filme), com uma pitada de Clive Baker e suas criaturas abomináveis (só faltou Pinhead aparecer sambando num carro alegórico). O monstro, o culto, o planeta e o mistério por trás dele são baseados na criação de HP Lovecraft, Call of Cthulhu. Só que toda essa salada imaginativa vai por água abaixo potencializada pela falta de talento da direção e por nada que funcione (um James Wan, de Invocação do Mal, talvez resolvesse parte dos problemas do filme). 

As atuações são obviamente desastrosas, há atores coadjuvantes que parecem dar risada por estarem ali. As atitudes dos personagens são absurdas e o personagem principal, um péssimo policial que não desperta empatia. No momento de um ataque da criatura, os policiais incompetentes nada fazem e personagens morrem pela burrice extrema. A trilha sonora é ruim, não há suspense, não há tensão, não há um clima que sustente o filme. Em um momento de drama, em que o personagem deveria sofrer por ter que matar uma pessoa, o filme simplesmente corta e se afasta da cena. Sem esse peso dramático, tudo soa superficial. Sangue em profusão se espalha pela tela, nos efeitos bagaceiras e na maquiagem capenga, numa tentativa de nos recordar das podreiras da década de 80 - mas que, com todas as suas deficiências, eram ou pareciam mais dignas do que isso. Personagens morrem e pouco nos importamos e o final em aberto é para deixar qualquer um de cabelos em pé, não pelo horror - mas pela possibilidade de mais um lixo. Fuja enquanto é tempo.

Cotação: 0/5

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