terça-feira, 23 de maio de 2017

I want your love - 2012





Por Jason


Na procura por filmes de diversos gêneros e produções desconhecidas do grande público, acabamos nos deparando com este filme. Na época de lançamento nos festivais, I want your love foi banido na Austrália, que considerou o conteúdo de cenas do filme ofensivo - mais precisamente, cenas de sexo explícito gay. O ator James Franco saiu em defesa do diretor, afirmando se tratar que a decisão era embaraçosa. Franco deve ter gostado do filme, não a toa viria a trabalhar com o diretor desta produção em outro projeto, Interior Leather Bar, obra que reinventa os 40 minutos das cenas de sexo gay sadomasoquista que, supostamente, foram cortadas do filme cult de 1980, "Parceiros da Noite".


A Austrália - e por consequência Franco - deveriam estar mais preocupados no fato de que I want your love é um filme ruim e as cenas de sexo são apenas uma parte dos problemas aqui. Segundo a trama, depois de uma década vivendo em São Francisco, Jesse é forçado a voltar às suas raízes interioranas por não conseguir mais se manter na cidade. Em sua última noite na metrópole, amigos e ex-parceiros se reúnem para uma festa de despedida que promete intensificar os já agridoces sentimentos de Jesse sobre sua partida. Havia, então, um potencial a ser explorado, já que Jesse é o tipo de adulto angustiado que não sabe para onde está indo nem o que está fazendo da vida. E justamente agora precisa retornar para a juventude porque não consegue ter uma vida de adulto na cidade grande. Nas mãos de atores competentes e de um cineasta de visão, o mote podia se transformar em um drama digno de nota, com uma mensagem simples porém eficiente sobre o fato de que às vezes, para seguir adiante, é preciso recuar. A invisibilidade do personagem principal ao final podia render algo notável - sua ausência não é sentida na festa que seria usada para sua despedida, como se os amigos se preocupassem mais em fazer sexo do que com o processo pelo qual o amigo está passando. 

Só que não há estofos dramáticos. O elenco desse pornô capenga disfarçado de drama temático é completamente amador, e não funciona nem para a pornografia nem para o dramalhão, ficando impossível de alguém se conectar com suas questões pessoais. Há uma tentativa de fazer com que o filme mostre o vazio das relações afetivas homossexuais já que todo contato entre dois homens inacreditavelmente termina em sexo, como que representando uma geração esvaziada de sentimentos, de perspectiva de futuro, de perspectiva de uma relação duradoura - e isso, como palco, a San Francisco que um dia foi palco de lutas políticas em favor dos homossexuais. O próprio Jesse seria a tentativa de uma representação dessa geração gay perdida e esvaziada, já que parece o tempo todo perdido e desinteressado sexualmente; não consegue um envolvimento mais profundo com seu namorado nem um entendimento na cama, em um processo de auto conhecimento que não se finalizou (em determinado momento, ele confessa ter medo dele mesmo, antes de - pasme - se relacionar sexualmente com seu amigo). 

Diálogos pseudo filosóficos explodem na sua cara do nada. E tudo se torna uma desculpa para cenas de sexo gratuitas mal filmadas, que poderiam ser removidas perfeitamente porque não possuem sentido algum de estarem ali. A sequência de festa acaba virando uma desculpa para mais cenas de sexo explícito em que nada acrescentam para a já trama arrastada e o final é assustadoramente terrível. Se não aprender a fazer um filme que preste e parar de apelar, o diretor já pode arrumar as malas com o seu advogado James Franco e desaparecer para sempre que não fará falta.

Cotação: 0/5 

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