segunda-feira, 29 de maio de 2017

Uma fenda no mundo - 1965




Por Jason

Uma fenda no mundo é mais uma ficção que mistura drama com filme catástrofe dos anos 60. Na trama, um renomado cientista, Dr Stephen Sorenson (Dana Andrews) está com câncer terminal e apesar dos conselhos de um brilhante colega mais novo, quer marcar seu nome na história com um projeto ambicioso. Ele quer explodir um míssil nuclear no centro da terra e liberar o magma para transformá-lo em uma energia ilimitada. O calor ilimitado do centro do planeta poderá transformar todos os continentes e a vida das pessoas oferecendo energia pura e infindável. 


Para tal projeto, ele tem o apoio de sua esposa a Dra Maggie (Janette Scott) mas seu ex aluno, Ted (Kieron Moore), está contra o projeto. Ted acredita que uma explosão da magnitude pode fazer o planeta se quebrar. Uma vez pressionado pelos investidores de vários países, liderados pelo inglês Sir Charles Eggerston (Alexander Knox), que exigem resultados lucrativos e imediatos com o projeto de alto custo, o Dr. Sorenson lança a bomba numa decisão arriscada que pode levar o mundo ao colapso. O resultado é claro, não poderia ser mais desastroso - uma fenda crescente que pode explodir o planeta em muitos fragmentos. Os líderes mundiais e Ted tentam em seguida conter a rachadura, procurando encontrar uma forma de detê-la ao passo que Stephen está se deteriorando em virtude da doença. A ideia é de ativar um vulcão que está no caminho da rachadura com... outra bomba o que, claro, terá consequências piores. 

É interessante perceber que o filme arrisca mostrar uma mudança de comportamento social em relação às mulheres: vistas sempre como coitadas e indefesas, à espera de que algum homem as salvassem, aqui, na década de Barbarella, a personagem principal é loira, bonita, determinada e inteligente, trabalhando no meio de um enorme grupo de homens, A situação muda no momento em que ela fica dependurada quando tudo está se acabando recorrendo ao parceiro para resgatá-la, obviamente. O filme cai na mesmice ao apresentar um triângulo amoroso entre ela, Stephen e Ted, já que ela teve um caso com o segundo e o abandonou para ficar com o primeiro. 

Há situações constrangedoras de ruins, como a colocação da outra bomba dentro de um vulcão, herança da imaginação dos autores da época. A explosão do míssil gera uma sucessão de acontecimentos - um terremoto há 120 km de distância onde tudo é destruído; um maremoto causa destruição em ilhas no raio de atuação do míssil e uma fenda se abre no fundo do oceano avançando sem parar a 5 km/h, saindo da Índia, atravessando a Indonésia e a plataforma australiana - mas nada disso é mostrado, para economizar no orçamento de efeitos especiais, o que deixa o espectador sem o impacto do caos e sem o devido peso da destruição. Para um filme que prometia ser o fim do mundo, faltou mais confusão, correria e gritaria.

O filme tem bom ritmo, o que é surpreendente em se tratando de um filme antigo, passa rápido e é interessante.  Também não existe um vilão em si, já que Stephen estava com planos que poderiam favorecer a humanidade e no momento em que a situação se torna fora do controle, ele assume a responsabilidade pelos erros e se junta a Ted na tentativa de encontrar uma saída - ao passo que o filme defende a mensagem de que de boas intenções o inferno está cheio delas. Com relação aos efeitos especiais, eles basicamente só aparecem no terceiro ato. O filme é a cara de sua época, parece também precursor de muitas outras produções do gênero, como No Coração da Terra, O núcleo e até 2012, de Roland Emmerich. Uma refilmagem, como um filme catástrofe trazendo uma escala de acontecimentos globais, poderia ser bem vinda. 

Cotação: 2/5

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