domingo, 25 de junho de 2017

A Menina Que Tinha Dons - 2016



Por Jason


Em um futuro distópico, algumas crianças são mantidas como reféns por um cientista em busca da cura para uma doença que infestou todo o planeta. A doença é causada por um fungo, que se espalha pelo cérebro e se reproduz no corpo humano usando-os para se proliferarem através dos fluídos corporais. Quando não consegue, o corpo humano vira material para um novo estágio, criando um tipo de vegetal com esporos. Todos os dias elas são amarradas em cadeiras de rodas por militares e levadas para uma classe. Fora dessas instalações militares, o mundo está repleto de humanos infectados que se comportam como zumbis. 

Melanie (Sennia Nanua), uma menina, chama a atenção de Helen Justineau (Gemma Arterton) e da Dr. Caroline Caldwell (Glenn Close). A primeira acredita que ela tem evoluído ao manter controle sobre a doença, a segunda quer arrancar o cérebro da menina para que possa estudá-la e criar uma vacina. Quando menos se espera, os zumbis invadem as instalações e causam uma confusão em que Melanie consegue fugir com Helen, Caroline e militares, mas eles decidem mantê-la fora do carro e amarrada por precaução, usando uma focinheira na menina tal qual um animal. E como um animal ela é liberada para comer quando está faminta, para que não ataque as pessoas ao redor à medida que eles procuram por um lugar seguro que pode não mais existir.

Helen é humanista, ao passo que Caroline vê a menina apenas como um rato de laboratório. É essa dualidade que leva o filme adiante, afinal, é como se a trama não pintasse vilões bem definidos, situação que começa a ficar mais clara perto do final com o surgimento de crianças zumbis que foram capazes de socializarem entre si para tramarem uma caça. Os zumbis, cujo sentido mais aguçado é o olfato, e são despertados por barulhos e movimentos bruscos, são tão ordinários quanto os homens que tratam as crianças daquela forma. A menina, apesar de esconder a sua fome monstruosa, ainda é uma criança, que está descobrindo o mundo exterior e aprendendo sobre viver em um mundo destruído pela guerra.

O filme é baseado no livro homônimo do próprio roteirista, Mike Carey, e traz direção de Colm McCarthy, diretor de televisão de séries como The Tudors, Sherlock e Doctor Who que aqui revela ter mão frouxa para o gênero. Do elenco, todo mundo escapa - embora a ótima Glenn Close não tenha muito o que fazer com roteiro tão irregular, a menina Sennia Nanua, em estreia, é simpática. A trilha sonora é terrível, o filme carece de ritmo, e apesar da economia notável com efeitos especiais capengas, os cenários são bem trabalhados. Os problemas estão nos clichês do gênero - a personagem que esconde que está com o pé na cova, personagem burro que cai em armadilha ridícula, o comportamento bestial de alguns grupos de zumbis que socializaram entre si tal qual animais (algo que remete imediatamente a produções como A última esperança da Terra ou Eu sou a lenda). O final é um tiro no pé.

Cotação: 2/5 

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