domingo, 25 de junho de 2017

Sully - 2016




Por Jason

Em 2009, o mundo entrou em estado de choque e admiração quando o Capitão Chesley "Sully" Sullenberger conseguiu pousar um avião em pane no Rio Hudson. Esse ato quase impossível salvou a vida dos 155 passageiros e alçou Sully à categoria de herói nacional. No entanto, nem mesmo a aclamação pública foi capaz de impedir uma investigação rigorosa sobre sua reputação e carreira.


Sully tinha longos quarenta anos de aviação, mas acabou sendo julgado pelo pouso. Durante a investigação, ele alegou que perdeu os dois motores durante o voo devido aos pássaros que atingiram as turbinas, mas as investigações afirmaram que um dos motores estava intacto e ele poderia ter usado em um pouso pelo menos 11 km depois - o motor foi encontrado em repouso durante o processo e ambos teriam sido danificados com o pouso forçado na água. A investigação também informou, baseada em estudos de engenheiros, que ele seria capaz de pousar em outro lugar através de simulações que foram vetadas de seu conhecimento, desconsiderando o acontecimento relatado pelo piloto e o fator humano de uma pessoa conduzindo outra centena pessoas em uma situação de perigo.

O que é mais absurdo, e o filme é eficiente em expor, é que, mesmo salvando todos os passageiros do voo e evitando uma catástrofe maior caso o avião caísse na cidade, Sully precisou prestar conta do acontecido em uma investigação ridícula e intimidadora e foi perseguido tanto pela empresa em que trabalhava quanto pela imprensa -, assim como pelas pessoas que questionavam o motivo de ele ter escolhido o rio para pousar. Após o acontecimento, ele foi atormentado por pesadelos e visões do desastre que poderia ter ocorrido, caso não tivesse realizado o feito heroico, e sua vida pessoal quase se arruinava em estresse pós traumático. O foco é muito menos aqui o pouso forçado em si mas a tentativa dele em provar que fez a coisa certa e talvez a única coisa possível a ser feita.

Tom Hanks mantém sua competência e carisma habituais e se vira como pode com o tanto vai e vem do roteiro. A Aaron Eckhart resta muito pouco a fazer em performance sem nota, assim como Laura Linney, que interpreta Lori a mulher de Sully e que é relegada a muleta de roteiro - ela passa o tempo todo no filme atendendo e fazendo ligação para o marido. A sequência do pouso é tensa, a recriação do pouso forçado é competente (os efeitos especiais são bem filmados) e vista de todas as maneiras e ângulos diferentes, o destino de Sully na investigação também é igualmente tenso. Mas tudo é filmado de maneira apenas correta por Clint Eastwood, sem arrombo de direção ou drama, e o resultado é um filme nos moldes de um bom Supercine. Vale uma conferida. 

Cotação: 3/5

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