terça-feira, 4 de julho de 2017

Rainha de Katwe - 2016




Por Jason


Em Rainha de Katwe, acompanhamos a vida de Phiona Mutesi, uma enxadrista ugandesa nascida na cidade de Katwe, que tornou-se uma Candidata a Mestre no Xadrez após seus desempenhos nas Olimpíadas de Xadrez, um feito inédito para o país. O filme retrata a infância miserável de Phiona, vivendo em um barraco alugado e tendo que trabalhar vendendo milhos pelas ruas da cidade para ter o que comer. Phiona Mutesi nasceu no ano de 1996 em Katwe, a maior favela de Kampala, capital de Uganda. Quando ela tinha 3 anos, seu pai morreu de AIDS, e uma de suas irmãs faleceu pouco depois, de causas desconhecidas. A mãe tentava criar os filhos longe de tudo que não prestava até que um dia a menina descobriu que um professor missionário, Robert Katende, estava ensinando crianças a jogarem xadrez, artifício que ele usava quando era mais novo para ganhar dinheiro em apostas. 

No começo, Phiona é discriminada por todos mas a menina, inteligente e persistente, começou a treinar repetidamente e a demonstrar habilidade para o jogo acima da média. Phiona precisou de apenas quatro anos no esporte para chegar à sua primeira Olimpíada de Xadrez, em 2010. Em 2012, tornou-se a primeira mulher de Uganda a ser Woman Candidate Master (WCM) de xadrez, primeira certificação atribuída a jogadoras após uma sequência de bons resultados em competições internacionais. Em 2013, ela se transformou na primeira mulher a vencer o Campeonato Nacional Júnior de xadrez, em Uganda, e em 2014 representou o país nas Olimpíada de Xadrez, na Noruega.

Esse roteiro é baseado no livro The Queen of Katwe: A Story of Life, Chess, and One Extraordinary Girl’s Dream of Becoming a Grandmaster, de Tim Crothers. Madina Nalwanga, que interpreta Phiona, foi encontrada pela diretora Mira Nair numa aula de dança em uma comunidade e, embora inexperiente, consegue transmitir suas emoções aos espectadores. Lupita interpreta a mãe de Phiona e David Oyelowo o treinador Robert, ambos com competência e força para transmitir todas as camadas dos personagens -embora a primeira se saia melhor traduzindo o medo de perder mais uma filha que era uma fonte a mais de renda e suas preocupações em manter a família unida, sem um marido, com uma filha mais velha problemática, em meio a pobreza. Lupita sobrevive a mão de Mira, diretora de Amelia (2009), que faz um filme redondo e interessante, porém, com cara de telenovela aos moldes da produtora do filme, a Disney. Resiste também ao roteiro que tenta jogar um excesso de informações em personagens que não se desenvolvem - já perto do final do filme, a filha mais velha que volta e meia surgia na trama aparece grávida. 

O que se sobressai ao conjunto é o fato de que é impossível não torcer por Phiona, principalmente no momento em que ela confronta os alunos de uma escola num primeiro torneio sem ser capaz de acreditar em si mesma ou quando precisa fugir com a mãe ao ser despejada do barraco caindo aos pedaços por falta de pagamento do aluguel. Phiona, analfabeta aos nove anos, tinha talento, mas o próprio treinador reconhecia que não tinha o tom ou estrutura correta para treiná-la - a coisa toda acontecia no improviso e era até mesmo impossível prever que ela chegasse tão longe dadas as dificuldades que tinha que enfrentar. Os jogos também não tinham se convertido em benefícios financeiros para ela e, uma vez provado o gosto do sucesso, ela sentia que precisava ir além. Havia também a barreira imposta pela mãe, que não acreditava muito que ela pudesse chegar longe.

A saída encontrada por Phiona foi justamente ir para as Olimpíadas na Russia, onde poderia, através de seu desempenho, conseguir candidatura para se tornar mestre e então começar a receber dinheiro, mas ela parou em uma das rodadas sem conseguir pontuações suficientes. Com persistência, ela retornou mais forte para um desempenho superior em outros campeonatos e conseguiu realizar o sonho de conquistar uma casa própria para sua família. Hoje, formada, tenta a universidade, sua vida rendeu livro e filme e deve render muitas outras glórias. E assim, a história dela mais do que prova que o esporte e a educação são capazes de fazer os jovens superarem as adversidades da vida. Descontado o clima de novela das oito, vale a pena conferir essa história.

Cotação: 3/5

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