domingo, 24 de setembro de 2017

It - A coisa - 2017




Por Jason


Adaptação do livro de sucesso de Stephen King, IT - A coisa já é igualmente um estrondoso sucesso de crítica e público. No filme, dirigido por Andy Muschietti (de Mama), sete crianças na cidadezinha de Derry, Maine, são aterrorizadas por uma criatura que se disfarça no palhaço Pennywise (Bill Skarsgård) para capturá-las. 

Uma das vítimas é o menino Georgie (Jackson Robert Scott), que, num dia de chuva, perde seu barco de papel e é morto pela criatura. O caso desperta as crianças, que descobrem que a coisa aterroriza o local já faz muito tempo e que usa dos medos de cada um para atraí-los e amedrontá-los, se alimentando dessa forma. O grupo é chamado de Clube dos Perdedores liderado por Bill (Jaeden Lieberher), que sofre de gagueira. Além dele, que está obstinado por encontrar o irmão, está Stan (Wyatt Oleff), um germo fóbico; Ritchie (Finn Wolfhard), que usa óculos fundo de garrafa, e Eddie (Jack Dylan Grazer), um hipocondríaco. Três deles se agregam ao grupo no decorrer da trama - o gordinho Ben (Jeremy Ray Taylor), que é novato e vive sendo espancado pela turma de adolescentes e é salvo pelos outros de uma sessão de espancamento; Bervely (Sophia Lillis), uma menina que é abusada pelo pai; e o garoto afro-americano Mike (Chosen Jacobs), que sobreviveu a um incêndio. Todos eles no entanto tem em comum o fato de sofrerem bullyng na escola e de se verem sempre diante da apatia dos adultos em relação aos acontecimentos da cidade.

A direção do filme é precisa e a forma como o filme é conduzido deixa transparecer a habilidade de Andy em explorar cenas de gore - braço arrancado, sangue jorrando pelo banheiro, a criatura que aparece comendo um pedaço de gente - e horror subjetivo, com a criatura aparecendo repentinamente. Nada funcionaria caso as crianças na tela não funcionassem, e a dinâmica e interação do grupo nesse sentido é perfeita - eles vão ganhando o público aos poucos em torno da busca pela explicação sobre o que está acontecendo e ao final todos participam de alguma forma ao vencerem seus medos e mandarem a coisa de volta para o buraco de onde saiu. A adaptação é eficiente também em muitos outros sentidos, seja ao transitar por temas como racismo, pedofilia, até no de conseguir condensar toda uma parte do livro se usando de pedaços essenciais para fazer tudo girar de maneira perfeita: nota-se claramente a forma como cada personagem é apresentado, como cada medo é exposto, e como cada problema pessoal é salientado. O uso dos efeitos especiais é correto, misturando práticos com efeitos digitais de modo que o resultado no filme é um composto sólido. 

Bill Skarsgård, como o palhaço, parecia uma escolha errada diante do trabalho feito por Tim Curry, em sua atuação marcante no telefilme de 1990. Bill, no entanto, mostra que foi a escolha ideal e sua criatura mistura sadismo, loucura e magnetismo, oscilando entre o humor e a violência com perfeição. Ajuda, e muito, o trabalho excelente da maquiagem. Com essa primeira parte situada na década de oitenta (diferente do livro original), e a segunda parte a caminho, o filme traz uma série de referências escondidas à época, do New Kids on the Block passando pelas roupas, carros e cortes de cabelos, o clima de "Os goonies", até um filme da série de terror A hora do pesadelo em cartaz no cinema da cidade.

Mas há que salientar que existem um ponto baixo, aqui e ali, com momentos clichês um tanto constrangedores - como o de Bill que faz o seu discurso antes de entrar na casa e perder sua gagueira. Se o desenvolvimento do grupo das crianças é eficiente, isso não se repete com a gangue que as aterroriza, liderada por Henry Bowers (Nicholas Hamilton) cujo desenvolvimento é relegado a uma cena envolvendo seu pai, um policial, e a uma sequência sangrenta em que ele o mata. A produção também escorrega ao super expor a criatura, com seus dentes afiados, e quebrar sequências que poderiam terminar segundos antes para não diminuir seu impacto, como a brilhante cena do projetor de fotografias. Há também um problema de ritmo no segundo ato e uma cena ou outra que não faz em nada o filme avançar. Das crianças, a atriz Sophia Lillis tem a parte mais pesada e é um achado e tanto em um papel como esse - poderá ter um futuro de estrela se souber administrar a carreira. Ao final, It - A coisa, cumpre bem o papel de entreter, além de deixar um gancho para uma continuação. Os fãs já estão ansiosos e - caso o sucesso da adaptação se repita - a espera valerá a pena.  

Cotação: 3,5/5
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