sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A maldição do espelho - 1980



Por Jason


Os habitantes da pequena vila inglesa de St. Mary Mead, lar de Miss Jane Marple (Angela Lansbury), estão entusiasmados quando uma grande companhia americana chega para rodar um filme, estrelando as famosas atrizes Marina Rudd (Elizabeth Taylor) e Lola Brewster (Kim Novak). Ao chegar com o seu marido, Jason (Rock Hudson), Marina descobre que Lola estará no filme e fica furiosa, visto que as duas estrelas não se toleram. 

Marina tem recebido ameaças de morte constantemente e em uma festa, Heather Babcock (Maureen Bennett), bebe um coquetel destinado para a atriz e morre envenenada. Todos acreditam que o alvo era Marina, mas o policial que está investigando o caso, Inspetor Craddock (Edward Fox) não está convencido disto e decide chamar Miss Marple, sua tia, para investigar. Agora, todos são suspeitos e só Miss Marple poderá desvendar este mistério. 

O elenco desse filme como visto é estelar, trazendo nomes como Tony Curtis, Kim Novak, Geraldine Chaplin, Elizabeth Taylor e Rock Hudson. É o filme de estreia também de Pierce Brosnan e a trama é baseada em um romance de Agatha Christie, de 1962. O livro foi dedicado à Margaret Rutherford, atriz que interpretou Miss Marple em várias adaptações cinematográficas. Aqui cabe a Angela Lansbury, indicada 3 vezes ao Oscar e que ganhou um honorário em 2014. Reza a lenda que este romance foi inspirado em um caso real, negado por Christie, que envolvia a atriz Gene Tierney de Laura (1944), a qual havia contraído rubéola durante a gravidez o que prejudicou seriamente a gestação da filha. A menina nasceu prematura, surda, parcialmente cega e com retardo mental grave. 

Não por acaso, a personagem Marina de Liz Taylor entrou em depressão após ter um filho do primeiro casamento com retardo mental e passa agora a tentar colocar a carreira nos trilhos novamente. Na vida real, algum tempo depois do nascimento, Tierney estava numa festa e foi abordada por um fã que pediu autógrafo. Muito alegre ele lhe revelou que já a tinha visto, e que em 1943 era um soldado que fugiu da quarentena de rubéola para assistir à sua única apresentação no Hollywood Canteen, esforço das estrelas para arrecadar fundos e elevar a auto estima dos soldados norte americanos na II Grande Guerra - o que, para Tierney, seria o motivo de ter contraído a doença. Isso é representado em uma cena em que a personagem Heather interage com Marina, contando do dia em que estava doente de rubéola mas mesmo assim foi vê-la. Os editores do livro, no entanto, afirmaram ser apenas uma coincidência.

Não dá para deixar passar em branco o surgimento de Kim Novak em cena, como uma espécie de Lady Gaga mais histérica trocando farpas com Elizabeth Taylor com toda a sua elegância num dos melhores momentos do filme, que antecedem ao assassinato. A rivalidade das duas, aliás, garante algumas risadas quando Novak surta ao ser interrogada pelo inspetor afinal, é através dessa rivalidade que a personagem de Novak é suspeita da tentativa de assassinato de Marina. O filme apela para recursos como câmera em primeira pessoa, para confundir o espectador acerca do mistério, e flashbacks, mas é basicamente concentrado em atuações e diálogos, que necessita de atenção contínua do espectador para ir juntando as peças, o que pode se tornar cansativo. O final, para quem criou expectativas, pode desagradar.  

Cotação: 2,5/5
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