sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Dunkirk - 2017




Por Jason

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha avança rumo à França e cerca as tropas aliadas nas praias de Dunkirk. Sob cobertura aérea e terrestre das forças britânicas e francesas, as tropas de 400 mil soldados tentam sair da região, enquanto são lentamente evacuadas da praia. Essa situação ficou conhecida como a Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque. A história acompanha três momentos distintos: uma hora de confronto no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) precisa destruir um avião inimigo; um dia inteiro em alto mar, onde o civil britânico Dawson (Mark Rylance) leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, e uma semana na praia, onde o jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead) busca escapar a qualquer preço.


Falar mal de um filme do Christopher Nolan é provocar a ira dos seus fãs, extremistas em sua maioria. Mas não tem como relevar o fato de que os problemas de Dunkirk são enormes, saltam os olhos, e foram ignorados pelos fãs que sempre procuram superestimar tudo o que o diretor faz - mesmo o tenebroso último filme da trilogia Batman, passando pelo insuportável Interestelar. Dunkirk demora a embalar e quando vai acontecer simplesmente murcha. Traz uma porrada de personagens cuja maioria não é digno de nenhuma nota, personagens estes que entram e saem sem sequer dizerem porque estiveram ali, o que é sintomático em se tratando de um filme de guerra: aqui, o espectador não consegue (ou tem dificuldade) de se conectar e assim de se importar com o que rola na tela. Exemplo disso é George (Barry Keoghan) cuja trama parece perdida dentro do contexto - o personagem morre e o filme não parece nem aí para isso porque em nada vai acrescentar se sua ausência não é sentida. Não vamos nem falar do piloto que cai no mar e é resgatado por Dawson antes que morra afogado. É gente que chega e gente que sai sem parar.

Não há aqui nenhuma cena marcante e há os clichês no terceiro ato - com os soldados britânicos recebidos com heroísmo; a  trilha sonora melodramática surrando os ouvidos e um pôr-do-sol no pouso de Ferrier; cenas que mostram a praia e sua dimensão, e sequências que parecem chupadas de algum filme de Michael Bay sem aquela fotografia porcalhona de seus filmes. Sim, a comparação é inevitável: não me assustaria se a Faith Hill surgisse cantando o tema de Pearl HarborThere you'll be, voando ali no final. Bay, um diretor infinitamente inferior a Nolan, em sua péssima aventura de guerra chata, romântica e brega ao menos conseguiu um melhor uso de efeitos especiais, de uma sequência de batalha mais vigorosa e eletrizante. Porque sim, se arranharmos mais, Dunkirk desaba para a categoria de Pearl Harbor e se afasta de produções já clássicas como Nascido para Matar, O resgate do Soldado Ryan, e Patton Rebelde ou Herói? dentre outros.

Porque Nolan parece tão interessado em recriar a batalha com detalhes como a fotografia realista ou saturada que esquece de dar emoção e drama àqueles homens quando um navio simplesmente afunda em questão de segundos ou quando uma embarcação explode derramando óleo e os soldados na água são queimados. É como se faltasse ali a destruição e vigor de um desembarque da Normandia, filmado com tanta visceralidade por Steven Spielberg na abertura de seu Resgate do Soldado Ryan que Dunkirk tanto pede e nunca encontra. Falta-lhe a sensibilidade contemplativa e narrativa de Além da linha vermelha que o filme quer ao mostrar os soldados amontoados à espera de um milagre na beira da praia, mas é incapaz de fazer. O filme em sua maior parte parece uma bagunça, cuja edição se esforça para amarrar tudo no final quando as tramas se encontram. Mas até lá, Mark Rylance faz o que pode com o pouco que lhe deram, pilotando seu barquinho com seu filho emperiquitado; Tom Hardy pouco faz tapado por uma máscara dentro de um cockpit de avião; Cillian Murphy é completamente desperdiçado e os outros personagens que vagam pela tela são como figurinhas de papel, incluindo o cantor Harry Styles, que de boca fechada se sai melhor do que atuando - e cantando. 

Além de Kenneth Brannagh, que traz alguma dignidade no elenco, o filme escapa de desabar porque consegue transmitir algum desespero em uma sequência aqui e ali, seja quando os soldados estão escondidos dentro de um barco encalhado e começam a receber tiros enquanto a maré começa a encher; quando estão aguardando o embarque e são atacados até que o pier seja destruído, ou em cenas simples, como a de Tommy correndo com uma maca para entrar no barco. A trilha sonora é incisiva e em muitos momentos parecia melhor evitá-la em vez de subi-la, mas os efeitos sonoros do filme são excelentes e não é preciso reparar em tiros ou explosões para tal constatação - basta perceber as sequências mais íntimas, seja do naufrágio dentro da embarcação, onde o próprio navio parece gritar e agonizar enquanto os soldados afundam com ele, ou na já citada sequência do barco encalhado. Não falta, assim, técnica à produção mas a sensação que fica ao final da produção é que pediram a Nolan um A lista de Schindler e ele entregou um documentário do History Channel.

Cotação: 1/5
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