sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Ratos de praia - 2017




Por Jason



Frankie é um jovem que está descobrindo sua homossexualidade e a escondendo do grupo de amigos e da família - e a descoberta vem em um momento ruim de sua vida. Enquanto passeia por chats da internet procurando por homens mais velhos, é paquerado por uma garota e divide suas drogas com os outros rapazes. Como toda tragédia é pouca nesse tipo de filme, o pai que estava doente de câncer terminal vivendo em uma cama dentro de casa acabou de morrer.

O garoto é o reflexo de sua vida angustiada. Sua vida sexual e amorosa é desastrosa e o rapaz é totalmente inseguro de si, acabando por se envolver sexualmente com homens que ele conheceu pela internet ao passo que tenta forçar um namoro com a garota. Não há aliás, nenhum romance em sua vida: quando a menina se joga sobre ele e o cheira, diz que ele fede e cobra elogios para satisfazer seu ego; quando o homem mais velho o encontra e o leva para o mato, não há romance, amor, ou suavidade, apenas o sexo rápido e casual com um desconhecido; o mais perto que ele chega de um diálogo normal com algum parceiro sexual é com um homem que vai se revelar ser um barman de uma festa na qual ele acaba completamente drogado.

Frankie é assim o reflexo de uma juventude confusa, descuidada, carente e vazia, de compreensão, de amor e afeto - e um retrato de falta de identidade. A carência de sua figura paterna e de alguém que possa ser um eixo em sua vida e lhe dê uma base sentimental é revelada nas figuras paternalistas que ele procura buscando no sexo um alívio que parece nunca vir. Embora tenha boa índole, se envolve com delinquentes igualmente drogados no caminho para sua destruição. 

O filme é dirigido de maneira crua por Eliza Hitman, premiada por ele no Festival de Sundance desse ano, de Hamburgo e Festival de Boston dentre outros prêmios aos quais foi indicado. A diretora consegue extrair uma boa dinâmica dos atores e o ator principal, Harris Dickinson, embora não seja um primor dramático, encara as cenas de nudez e sexo com total naturalidade. Pesa contra o filme a carência de estofo dramático: o pai de Frankie morre, mas isso não é sentido. A relação familiar não é explorada - a mãe de Frankie é completamente ausente dramaticamente do roteiro, sem importância, personagem incapaz de perceber e de agir com o que acontece com o filho. A sexualização precoce da irmã mais nova desaparece no roteiro, o ritmo do filme é tedioso e termina de forma abrupta, como se não concluísse sua intenção ou o arco dramático do personagem. Dentro do gênero e da temática GLS, vale, contudo, uma conferida.

Cotação: 2/5
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